Associação recomenda aos produtores que não aumentem a área de plantio para não prejudicar o preço do produto

No Rio Grande do Sul, produtores de fumo se preparam para iniciar mais um ciclo com expectativa de inverno seco e gelado. Em algumas regiões agricultores não conseguem antecipar o plantio justamente porque o solo não recebe chuva há mais de mês.

Se, por um lado, a incerteza climática preocupa os produtores, por outro o preço acaba animando. A expectativa é de que o valor chegue a R$ 150 a arroba. A Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra) orienta não aumentar a área plantada. No ano passado, o estado cultivou 271 mil hectares.

“Estamos recomendando aos produtores não aumentarem a área, que seja a mesma área do ano passado. Embora o Brasil seja o maior exportador, nós produzirmos a mais do que o mercado está pedindo e nós vamos ter problema de preço”, disse o vice-presidente da Afubra, Marco Antonio Dornelles.

A recomendação da associação será seguida pelo produtor Paulo Renao Xavier, que produz em quatro hectares da sua propriedade.  “Não adianta aumentar. Plantando menos nós faremos em melhor qualidade e colocaremos mais dinheiro no bolso”, falou.

No Rio Grande do Sul, o período de plantio é longo, indo de 15 de julho até setembro, e varia de acordo com cada região e a preferência do agricultor. No Município de Venâncio Aires, onde se concentra a maior produção de fumo, alguns produtores preferem começar o plantio mais cedo, como é o caso de Paulo, para conseguir uma qualidade melhor na planta.

“A gente que planta agora tá arriscando a perder a muda e daí não consegue fazer a muda de novo em tempo. Quanto mais cedo planta, dá um fumo que a firma quer: mais grosso, pesado e de melhor qualidade”, analisou Paulo.

Depois de nascidas, as mudas têm 60 dias para serem plantadas. Mas o cenário muda completamente em caso de seca, como vem ocorrendo. “O que mais nos preocupa é que está muito seco. Somente no oeste catarinense as chuvas estão normais, lá o plantio já foi antecipado sem problemas, mas aqui no Vale do Rio Pardo e outras regiões onde o plantio estaria começando, a falta de umidade é o que mais nos preocupa no momento”, disse Dornelles.

Para o produtor, o que resta é esperar alguns dias e, se não chover, partir para a irrigação. “Se não chover tem que plantar assim pra não perder a muda, mas teremos mais gastos, irrigando pé por pé”, falou.

Bruna Essig | Venâncio Aires (RS)Canal Rural

Fonte : Canal Rural

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