O ministro da Agricultura autorizou acordo com a Agência de Promoção às Exportações para o incentivo de produtos no exterior; meta do Brasil é ter 10% da produção global em dois anos

Brasil encerrou 2015 com US$ 82,63 bilhões de US$ 1,17 trilhão produzido pelo agronegócio mundial Brasil encerrou 2015 com US$ 82,63 bilhões de US$ 1,17 trilhão produzido pelo agronegócio mundial
Foto: Divulgação

São Paulo – O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) estuda uma estratégia para ampliar a participação do agronegócio brasileiro no mercado mundial. O objetivo do País é ter 10% do segmento no mundo até 2018.

A participação do Brasil em 2015 foi de US$ 82,63 bilhões (cerca de 7,5%) de US$ 1,17 trilhão movimentado no comércio global.

A principal ação em andamento é dar publicidade aos métodos da produção brasileiros, que conta com exigências rígidas de sustentabilidade aos produtores.

“O nosso grande objetivo não é só exportar, mas aumentar o valor agregado das exportações brasileiras, e mostrar os novos conceitos de produção, regras de origem e rastreabilidade dos produtos. Temos um patrimônio enorme na área da sustentabilidade e não utilizamos isso”, disse ontem ao DCI o secretário substituto de Relações Internacionais do Agronegócio do Mapa, Odilson Luiz Ribeiro e Silva.

Na última semana, o ministro da Agricultura, Blairo Maggi, autorizou a assinatura do acordo de cooperação técnica em parceria com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex) – firmado em abril, ainda na gestão da ex-ministra Kátia Abreu.

Entre os contemplados, estão carnes (bovina, suína e de aves) e derivados, lácteos, pescados, frutas e sucos, grãos, café, alimentos e bebidas e máquinas e equipamentos.

A atenção do acordo, válido por dois anos, será destinada a territórios da Ásia, como China, Coreia do Sul, Rússia e Japão, mas também a outros centros importantes, a exemplo de Estados Unidos, União Europeia e Oriente Médio.

“A intenção é unir os resultados dos departamentos para produtos do agro. Queremos vender carne de aves na Índia, mas qual problema nós temos? sanitário? tarifário? Temos que verificar o entrave para poder ter acesso ao mercado, e aí fazer ações de promoção do produto brasileiro”, acrescentou Luiz Ribeiro e Silva, do Mapa.

Valor agregado

Em alguns segmentos do agronegócio brasileiro, a falta de ações para fortalecer a imagem dos produtos do país resulta em ganhos abaixo do esperado sobre o valor agregado.

Um dos setores mais afetados é o café, mas isso tem mudado. De acordo com dados do Conselho dos Exportadores do Café (Cecafé), 25% do café exportado já é diferenciado. No ano de 2015, foram nove milhões de sacas de café verde diferenciado – crescimento de 12% sobre 2014. Para se ter ideia, o café é considerado diferenciado quando o preço é 15% superior ao preço médio.

“Há uma demanda que vem crescendo e é sustentável, o que demonstra que o mercado internacional não só quer, como está pagando por este produto”, afirma a diretora-geral do Cecafé, Luciana Florêncio.

Já para o diretor-executivo da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec), Fernando Sampaio, a estratégia pode dar acesso a novos mercados.

“Essa ação possibilita fazer um esforço da defesa da imagem do setor junto a formadores de opinião no exterior e investir para superar barreiras que hoje existem”, analisa.

Ainda segundo o diretor da Abiec, o Brasil continuará como um grande player no mercado. No entanto, ele cobra atuações unificadas do setor público e privado para o acesso e desenvolvimento comercial em novos países.

“Temos que ter um esforço constante em praças onde estamos consolidados, como Europa, Rússia e China. São mercados que nós temos participações, mas na Europa, por exemplo, recebemos muitas críticas na imprensa”, acrescentou o diretor da Abiec.

O diretor executivo da Associação Nacional dos Exportadores de Sucos Cítricos (CitrusBR), Ibiapaba Neto, elogia a intenção de fomento dos produtos brasileiros ao comércio exterior. “É importante que o Mapa e a Apex conversem para incentivar os mais diversos setores”, comentou.

Fernando Barbosa

Fonte : DCI

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