•  

    Os reflexos da menor oferta de produtos agrícolas no mercado interno, por conta de problemas climáticos e pelo crescimento das exportações, estão sendo sentidos num dos pontos mais sensíveis da economia: o prato dos brasileiros. Os preços nas alturas de alimentos essenciais para a população, como feijão, arroz e leite, já começam a pressionar a inflação brasileira. O Índice de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), acumula alta de 9% nos últimos 12 meses. Responsável por mais de um terço da inflação, o grupo alimentação e bebidas foi o que mais cresceu no período, chegando a 12,4%.
    – Esses itens têm peso significativo na cesta básica dos brasileiros, refletindo diretamente na inflação – explica Vanessa Neumann Sulzbach, economista da Fundação de Economia e Estatística (FEE).
    Produtos como arroz, feijão e leite foram impactados por problemas climáticos, que reduziram o volume das safras colhidas no país e também atrasaram o desenvolvimento de pastagens. Já a valorização da soja e do milho, principais componentes da ração animal, é provocada pelo aumento do apetite externo pelos grãos.
    – Os preços de aves, suínos e bovinos podem subir pelo encarecimento dos custos dessas criações – destaca André Braz, economista da Fundação Getulio Vargas (FGV).
    Mesmo com as recentes pressões, o economista prevê que os alimentos não fecharão o ano como vilãos da inflação. A previsão é de recuo dos preços nos próximos meses, trazendo um alívio aos consumidores.

  • PRESSÃO DO TABACO SURTE EFEITO

    Mobilizados em Brasília, representantes do setor de tabaco pediram a revogação da resolução 4.483 do Banco Central (BC), que aumenta de 20% para 30% a exigência de receita gerada por outras culturas no acesso a crédito para investimento dentro do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf). Em audiência ontem com o secretário nacional de Agricultura Familiar e do Desenvolvimento Agrário, José Ricardo Ramos Roseno, receberam a promessa de que o pedido de revogação será encaminhado ao BC antes do dia 1º de julho – quando as novas regras entrarão em vigor.
    – Pedimos que permaneça a regra atual, pois a exigência maior neste momento provocará efeito inverso na tentativa de diversificar a fumicultura, já que a receita vinda de outras atividades ainda é pequena – disse Romeu Schneider, diretor-secretário da Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra).

  • IMPORTADO À MESA

    Após bater recorde de preço nas últimas semanas, e virar piada na internet com memes, a alta do feijão no mercado brasileiro deverá ser contida com a importação do produto. Anunciada ontem pelo presidente interino Michel Temer, a medida tenta conter o aumento da inflação provocado pelo produto.
    Ainda nesta semana, o Ministério da Agricultura irá propor à Câmara de Comércio Exterior (Camex) redução a zero da alíquota de importação de feijão, de qualquer país. Hoje, a Tarifa Externa Comum (TEC) é de 10%. A intenção é isentar a alíquota por um período de 90 dias.
    A China, que exporta feijão ao Brasil, tende a se beneficiar com a medida. Os países do Mercosul, como Paraguai e Argentina, já têm alíquota zero para exportação do produto ao Brasil.
    A saca de 60 quilos do feijão carioca, que representa 75% do consumo no país, chegou a ser negociada a R$ 600 na Bolsinha de Cereais de São Paulo – referência para a formação de preço no país. O feijão preto, consumido especialmente no Sul, chegou a R$ 280 no atacado. A baixa oferta do produto é reflexo da quebra de safra no país, em razão de problemas climáticos.

  • ETAPA CATARINENSE

    Começa hoje e vai até domingo, em Araranguá (SC), a oitava semifinal do Freio de Ouro 2016. A disputa garantirá a vaga de mais oito conjuntos à final em agosto, durante a Expointer. Participam da classificatória animais da raça crioula que disputaram credenciadoras em Santa Catarina e no Paraná.

  • MARTELO AINDA NÃO BATIDO EM DÍVIDAS

    A prorrogação de dívidas de custeio e investimentos de produtores atingidos por problemas climáticos na Metade Sul ainda não tem definição do governo federal. Embora o Ministério da Fazenda já tenha concordado com a postergação do vencimento das parcelas, a autorização do Conselho Monetário Nacional (CMN) só virá se o Ministério da Agricultura tiver dinheiro no orçamento para bancar a equalização de juros. Somente para o arroz, o volume necessário é estimado em R$ 200 milhões. A renegociação solicitada pelos produtores prevê a postergação de R$ 600 milhões entre parcelas do crédito rural vencidas e a vencer.
    Segundo o deputado Luis Carlos Heinze (PP-RS), a principal dificuldade para fechar o acordo está no custo da operação. No caso dos produtores de soja com perdas na região, é pouco provável que ocorra a prorrogação. Definição deverá sair até a próxima semana, quando ocorre reunião mensal do CMN.

  • Fonte : Zero Hora

Compartilhe!