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    A fraude do leite já é velha conhecida dos gaúchos, das autoridades e dos próprios criminosos. Durante mais de dois anos em nove operações do Ministério Público, a mais recente ontem nos Campos de Cima da Serra (leia mais na página ao lado), o esquema foi tornado público com informações precisas de como o crime acontece. Mas isso parece pouco para que algo seja feito em defesa da saúde pública que continua sendo ameaçada com produtos de má qualidade.
    – Deparamos com uma cultura criminosa. Isso sempre foi feito e nada acontecia. E o crime não é organizado, ele ocorre em diferentes setores, da propriedade à indústria, por isso é tão difícil de conter – disse o promotor de Justiça Mauro Rockenbach, à frente das investigações desde 2013.
    Já preparando a décima operação, que deve ocorrer ainda neste mês, o promotor revela sentir o Ministério Público sozinho na repressão, já que até agora nenhuma legislação foi alterada ou fiscalização reforçada.
    – Os transportadores continuam agindo sem nenhuma regulação, e a inspeção segue sendo feita por amostragem – lamenta Rockenbach.
    Em março, o Instituto Gaúcho do Leite (IGL) apresentou duas minutas de projeto ao Legislativo e ao Executivo, com base em amplas discussões feitas com representantes do setor. Um deles, que exclui a figura do atravessador e regula a atividade do transporte de leite, chegou a ser apresentado pela Assembleia Legislativa, mas está parado na Comissão de Constituição de Justiça. O outro projeto, que regula a comercialização e disciplina a qualidade da produção de lácteos, segue em análise na Secretaria da Agricultura.
    – Falta celeridade para aprovação desses projetos. É um assunto que requer urgência e que não está sendo tratado com a brevidade que a cadeia do leite precisa – critica Ardêmio Heineck, diretor-executivo do IGL.

  • ARROZ NA BOLSA

    Os produtores de arroz terão uma nova modalidade de venda da safra a partir deste mês. Por meio de leilões privados, em formato de pregão eletrônico, agricultores poderão ofertar o produto para compradores de todo o país. Batizado de Arroz na Bolsa, o programa será conduzido pela Bolsa Brasileira de Mercadorias (BBM), em parceira com Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga), Federação das Associações de Arrozeiros do Estado (Federarroz-RS), Banrisul e Emater.
    A primeira operação será no dia 1º de outubro. Qualquer produtor, empresa ou cooperativa com volume mínimo de 540 sacas de arroz em casca poderá ofertar o grão. O credenciamento dos lotes pode ser feito até 23 de setembro, procurando qualquer uma das entidades envolvidas.
    – Quem vender terá garantia de que irá receber e quem comprar, a segurança da qualidade do produto – assegura Guiliano Ferronato, presidente da BBM.
    Antes de serem ofertados, os lotes de arroz serão classificados pela Emater.
    – A modalidade de venda ajudará a dar liquidez ao produto, além de ampliar a abrangência da oferta com risco zero – explica Tiago Sarmento Barata, diretor comercial do Irga.
    O custo para vender no leilão privado será de 0,5% do total negociado. A taxa de corretagem só será cobrada se a compra for efetuada. Mais informações pelo (51) 3215-1264 ou pelo e-mail arroznabolsa@irga.rs.gov.br.

  • GREVE AFETA INSPEÇÃO FEDERAL

    A greve dos fiscais federais agropecuários, iniciada ontem, tem adesão de 80% dos quase 250 funcionários no Rio Grande do Sul, segundo o Sindicato Nacional dos Fiscais Federais Agropecuários (Anffa Sindical). No país, a paralisação chega a 90% dos 2,8 mil servidores.
    Ontem, os fiscais realizaram inspeção das carcaças nos frigoríficos gaúchos de aves, suínos e bovinos, mas não emitiram os certificados, o que impediu que os produtos fossem liberados. Dirigentes do setor de carnes já manifestam preocupação. Por ano, o Estado exporta 700 mil toneladas de carne de frango, 150 mil de carne suína e 100 mil de carne bovina.
    – Um único dia de parada provoca grandes impactos – explica o diretor executivo do Sindicato das Indústrias de Produtos Suínos, Rogério Kerber.

  • NO RADAR

    O VICE-MINISTRO da Agricultura e Alimentação da Alemanha, Robert Kloos, estará no Rio Grande do Sul hoje e amanhã. Entre as atividades previstas pela delegação europeia, está uma visita à Cooperativa Languiru, em Teutônia.

  • Após a geada do último sábado e domingo, o plantio de milho avançou pouco no Estado, não passando de 36% nesta semana, conforme a Emater. Produtores com perdas expressivas nas lavouras já planejam ocupar as áreas com soja.

  • O PRÊMIO Folha Verde, criado pela Assembleia Legislativa em 1995, voltará a ser entregue neste ano. A distinção, dividida em 10 categorias, reconhece o trabalho de pessoas e empresas em defesa do agronegócio. A 5ª edição foi relançada pela Comissão de Agricultura, Pecuária e Cooperativismo, presidida pelo deputado Adolfo Brito (PP).

    Fonte : Zero Hora

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