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    Das lavouras até as indústrias ou portos, parte dos grãos colhidos pelos produtores é perdida pelo caminho em armazéns ou nas rodovias por onde passam os caminhões que transportam a safra brasileira. Embora é sabido que as perdas ocorrem, não há ainda estatísticas no país que indiquem o quanto da produção de soja, milho, arroz ou trigo não chega ao destino final por problemas no pós-colheita.
    – Não é possível melhorar a qualidade de um grão colhido, mas é possível mantê-la para que chegue na indústria ou nos portos com a mesma condição que saiu da lavoura – exemplifica Marcelo Alvares de Oliveira, pesquisador da Embrapa Soja e presidente da Associação Brasileira de Pós-Colheita de Grãos.
    O especialista refere-se aos cuidados necessários na armazenagem dos grãos, da secagem à limpeza. Qualquer impureza ou umidade acima do recomendado, por exemplo, pode atrair pragas ou doenças à produção. Formas de reduzir essas perdas serão discutidas durante o VII Simpósio Sul de Pós-Colheita de Grão, que será realizado de amanhã até quinta-feira, em Erechim, no norte do Estado.
    – É preciso treinar profissionais que trabalham no setor de armazenagem, tanto em cooperativas quanto nas propriedades – ressalta Oliveira.
    Para quantificar o volume da safra brasileira perdida no caminho, a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) está levantando informações nos principais Estados produtores. Um dos estudos, em parceria com a Universidade Federal de Mato Grosso, irá se ater ao transporte nas produções de arroz no Rio Grande do Sul, de milho em Mato Grosso e de trigo no Paraná. Estão sendo avaliadas tecnologias para transporte, como uso de velcro nas lonas dos caminhões para reduzir as perdas na estrada.
    São estudos fundamentais para atacar ineficiências logísticas e proteger a principal riqueza das lavouras.

  • MAIS PRAZO PARA DÍVIDAS

    Após meses de negociação, o novo prazo de vencimento das dívidas de crédito rural de arrozeiros deverá ser autorizado nesta semana pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). Pelo acordo costurado com os ministérios da Agricultura e da Fazenda, os produtores prejudicados por problemas climáticos na última safra terão cinco anos para pagar as parcelas de custeio e um ano a mais para quitar as de investimento – com juro de 8,75% ao ano.
    – A medida é fundamental para dar ao produtor condições de manter a mesma área cultivada na próxima safra, garantindo o abastecimento de arroz no Brasil – destaca Henrique Dornelles, presidente da Federação das Associações de Arrozeiros do Rio Grande do Sul (Federarroz).
    Após a confirmação da prorrogação, os produtores deverão procurar os bancos para indicar se vão ou não aderir à negociação.
    – A medida não será generalizada, e somente aqueles que realmente tiveram problemas poderão aderir – explica Dornelles.
    Apesar de parte das parcelas já terem vencido em maio e junho, mais de 90% dos contratos começam a vencer em julho – em operações efetuadas no Banco do Brasil. No total, a prorrogação envolve R$ 600 milhões em crédito de custeio e investimento.

  • TAXAÇÃO DO AGRO É NEGADA

    Depois de causar indignação entre representantes do agronegócio, a possibilidade de taxar as exportações do setor para atacar o déficit da Previdência Social foi afastada pelo presidente interino Michel Temer. Segundo ele, o governo não discutiu qualquer taxação ao agronegócio para contribuir com o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Temer disse que já foram feitas duas reuniões com o setor econômico e em nenhum dos encontros o tema esteve em pauta. Conforme ele, há uma comissão dentro da Casa Civil tratando do assunto com representantes das centrais sindicais há quase 30 dias.

  • NO RADAR

    COMEÇA NESTA quarta-feira a terceira edição do Congresso Brasileiro de Angus, no Hotel Plaza São Rafael, em Porto Alegre. Durante dois dias serão discutidos temas como qualidade, eficiência e sustentabilidade, Inscrições: angus.org.br/congresso.

  • DISPUTA ACIRRADA EM SANTA CATARINA

    Justiceiro Mano a Mano liderou em funcionalidade e em quase toda a seletiva realizada em Araranguá (SC), que encerrou ontem. Conduzido pelo ginete Cézar Augusto Schell Freire, o cavalo foi também destaque nas etapas com o gado. Esta será a décima oportunidade na final do Freio de Ouro, na Expointer, para os criadores Paulo Reali e seu filho Thiago, da Cabanha Carpe Diem, do município Fazenda Vilanova.
    Já entre as fêmeas, a classificatória foi decidida somente na paleteada. Com uma virada surpreendente, Seresteira de São Manoel ficou em primeiro lugar. Conduzida por Francisco Kras Alves – reconhecido como o ginete destaque – obteve os pontos que a levaram ao topo do pódio. A égua garantiu a estreia na Expointer para a expositora Monaliza Soratto Mezzari, da Cabanha Nobreza Crioula, de Morro da Fumaça (SC).

  • SEPARAÇÃO NA EUROPA PODE AMPLIAR MERCADOS

    Embora seja cedo para prever reflexos ao agronegócio da saída do Reino Unido da União Europeia (UE), a decisão poderá trazer oportunidades ao Brasil. Segundo principal destino das exportações gaúchas do setor, a UE é parceira do Rio Grande do Sul na compra de soja, fumo e carnes. As ilhas britânicas importam carnes bovina e de frango.
    Para o presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Francisco Turra, se as cotas de exportação à UE forem mantidas, será possível aumentar as vendas ao bloco e manter os mercados fidelizados no Reino Unido.
    Sergio Leusin Júnior, economista da Fundação de Economia e Estatística (FEE), informa que o Reino Unido respondeu por 6% dos embarques gaúchos em 2015, índice que deve ser maior – já que nem sempre os produtos entram pelos portos dos países de destino.
    Colaborou Karen Viscardi

  • Fonte : Zero Hora

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