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    A possibilidade de o governo federal taxar as exportações do agronegócio para atacar o déficit da Previdência Social foi recebida com indignação pelo setor agropecuário. E não é para menos. A cobrança de tributos na venda externa de commodities é comparada com as medidas tomadas pelo governo Kirchner na Argentina onde as chamadas retenciones fizeram o agronegócio do país encolher na última década. A intenção esboçada pelo governo é de cobrar de empresas exportadoras do agronegócio contribuição para ser revertida aos cofres do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
    Considerada uma das principais apostas do governo interino de Michel Temer, a reforma da Previdência já começou a ser formatada pelo Palácio do Planalto. A intenção é colocá-la em prática no menor tempo possível, preferencialmente antes da votação do impeachment no Senado. Ontem mesmo, quando o assunto veio à tona, o ministro da Agricultura, Blairo Maggi, foi um dos primeiros a manifestar contrariedade. Produtor rural, Maggi sabe que quem irá pagar a conta será o agricultor – já que os importadores não irão arcar com a diferença de um produto agrícola porque aumentaram um tributo no Brasil. A menor rentabilidade da produção agropecuária, inevitavelmente, resultará em desestímulo da atividade e numa menor contribuição do setor para a economia brasileira.
    A tributação extra sobre o agronegócio integra um conjunto de medidas, incluindo também as aposentadorias rurais, para tentar cobrir o rombo que deverá chegar a R$ 133,6 bilhões este ano. É um dos assuntos mais importantes que o Brasil precisa resolver. A solução, porém, certamente não virá da tentativa de jogar o problema no colo de um dos setores que tem sustentado os poucos índices em que o país ainda tem a se orgulhar.
    Começar a reforma pelo lado errado, atacando as receitas ao invés das despesas, poderá provocar rombos ainda maiores na economia brasileira.

  • NO RADAR

    A CCGL inaugura hoje, em Cruz Alta, a ampliação da fábrica que irá dobrar a atual capacidade de processamento de leite. O investimento de R$ 120 milhões irá gerar 150 novos postos de trabalho na Região Noroeste.

  • CONEXÃO ENTRE PRODUÇÃO E CONSUMO

    Dono de uma horta caseira no Rio de Janeiro, onde produz alimentos para consumo próprio, o ator e apresentador Rodrigo Hilbert tentou algumas vezes doar o excesso da produção – mas sempre esbarrou na burocracia. Foi atrás, então, de alguma alternativa para aproximar agricultores urbanos de consumidores.
    Da inquietação, surgiu o aplicativo Farmsquare, lançado nesta semana em parceria com empresas como a Del Valle Brasil. O serviço é intuitivo: consumidores entram na plataforma e buscam por ofertas de alimentos produzidos por agricultores da sua região. Para participar como produtor ou doador no aplicativo, é necessário produzir qualquer tipo de fruta, verdura ou legume: seja de uma horta ou na janela de um apartamento.
    Também vale para quem quer doar excedentes da geladeira de casa, do restaurante ou de qualquer outro estabelecimento comercial. Para conferir, acesse farmsquare.com.br.

  • MENOS AMARGO

    Depois do boom da erva-mate no Rio Grande do Sul, que há dois anos elevou em 200% o preço ao consumidor, o mercado começa a dar sinais de estabilidade. Se a escassez do produto foi responsável pela alta na época, agora o motivo para a baixa é o contrário: excesso de oferta.
    Com o produto valorizado naquele ano, muitos produtores voltaram a investir na cultura, aumentando a produtividade dos ervais.
    – Houve uma superprodução de erva-mate. O mercado cresceu muito com a entrada de novas ervateiras – explica Roberto Magnos Ferron, diretor-executivo do Instituto Brasileiro da Erva-Mate (Ibramate).
    Somente no polo da região do Alto Taquari, foram criadas 21 ervateiras desde o ano passado. Somado à maior produção, houve redução de 20% do consumo no período – fazendo o preço da arroba voltar a patamares abaixo de R$ 10 em algumas regiões do Estado, segundo o Ibramate.
    A redução no valor já traz reflexos nas prateleiras dos supermercados gaúchos. Nos últimos 15 dias, o preço do ingrediente da bebida típica dos gaúchos diminuiu 10%, variando de R$ 7,90 a R$ 12,90, segundo a Associação Gaúcha de Supermercados (Agas).
    – A tendência agora, depois dessa baixa, é de o preço permanecer estável por um tempo – prevê o presidente da entidade, Antônio Cesa Longo.

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    COM AJUDA DO TEMPO, OS PRODUTORES GAÚCHOS TÊM CONSEGUIDO AVANÇAR COM O PLANTIO DE TRIGO NO ESTADO, QUE JÁ CHEGA A 45% DA ÁREA PROJETADA, CONFORME A EMATER.

  • LEI DO LEITE REGULAMENTADA

    Aprovada pela Assembleia Legislativa no final de 2015, a lei que trata da produção, transporte e venda de leite cru no Rio Grande do Sul será regulamentada hoje pelo governador José Ivo Sartori. O decreto será assinado em Ijuí, durante o Fórum Estadual do Leite. A partir da publicação, o setor terá 180 dias para se adaptar às novas regras.
    A principal mudança é a necessidade de transportadores serem cadastrados e vinculados à indústria – eliminando assim a figura do atravessador. Em tese, a lei deverá frear o “quem dá mais pelo leite”, que alimentou grande parte das fraudes detectadas pelo Ministério Público.
    – A legislação representa um avanço, trazendo segurança maior para a qualidade do produto – explica Ernani Polo, secretário da Agricultura.

  • PRECONCEITO COMFEIJÃO-PRETO?

    A medida de zerar o imposto de importação para o feijão por 180 dias, confirmada ontem pela Câmara de Comércio Exterior (Camex), não foi bem recebida no Rio Grande do Sul – um dos principais produtores de feijão- preto no Brasil. A alegação é de que a Região Sul tem produto sobrando para ser comprado por outros Estados – que tradicionalmente consomem o carioca.
    – Aqui no Sul está sobrando feijão-preto. Temos de acabar com esse preconceito no consumo do produto – disse Carlos Sperotto, presidente da Federação da Agricultura do Estado (Farsul).
    Hoje, o carioquinha é o preferido no prato dos brasileiros, sendo responsável por mais de 75% do consumo no país.

    Fonte : Zero Hora

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