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    A dois dias de entrar em vigor o Plano Agrícola e Pecuário brasileiro, o governo do Estado apresenta o Plano Safra gaúcho que passará a valer também a partir de sexta-feira. A expectativa é de que o pacote de crédito liberado por Banrisul, Badesul e BRDE traga poucas mudanças em relação ao ano passado, talvez com pequeno acréscimo de recursos. Em 2015, as três instituições financeiras ofereceram R$ 2,8 bilhões em linhas de custeio e investimento.
    – Pedimos aos bancos que, ao menos, mantivessem o montante do ano passado, mesmo levando em conta a atual conjuntura econômica – afirma Ernani Polo, secretário estadual da Agricultura.
    As taxas de juro seguirão as mesmas diretrizes do Plano Safra brasileiro. O pacote gaúcho prevê recursos para agricultura empresarial e familiar, com dinheiro próprio dos bancos e também repasses do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Entre os financiamentos oferecidos, estão linhas para compra de máquinas e equipamentos agrícolas e investimentos em irrigação, em armazenagem, na recuperação de solos e em agroindústrias familiares.
    – A agricultura dá uma resposta muito rápida na economia, por isso é importante que os produtores tenham recursos disponíveis o ano todo – diz Tarcísio Minetto, secretário de Desenvolvimento Rural e Cooperativismo.
    Na apresentação do Plano Safra gaúcho, hoje à tarde, no Palácio Piratini, os bancos irão divulgar também o total contratado na safra 2015/2016, encerrada neste mês.

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    ABANDONO DOS ERVAIS
    A desvalorização do preço da erva-mate nos últimos meses tem levado produtores a arrancar os ervais na região do Alto Uruguai – segundo maior polo de produção do Rio Grande do Sul. A desistência do cultivo é resultado do valor recebido na venda do produto, menos de R$ 10 por arroba (15 quilos da folha). Descontado o frete e a mão de obra da colheita, sobram menos de R$ 5. Há três anos, quando faltou matéria-prima nas indústrias, chegaram a receber quase R$ 30 por arroba.
    – Nas regiões onde é possível plantar grãos, com a soja e o milho no preço que estão, é difícil convencer o produtor a permanecer com erva-mate hoje – afirma Valdir Pedro Zonin, presidente do Instituto Brasileiro da Erva-Mate (Ibramate).
    Segundo Zonin, pelo menos 30 produtores arrancaram seus ervais em Erechim, Gaurama, Áurea e Getúlio Vargas. Muito deles, sem licença. Por ser uma árvore nativa, é necessário autorização ambiental para o corte.
    Com seis mil hectares cultivados, a região do Alto Uruguai responde por quase 20% da produção de erva-mate do Rio Grande do Sul. Ontem, representantes da indústria e de produtores se reuniram em Erechim.
    – Precisamos estabelecer um preço referência que todos ganhem, indústria e produtor. A informalidade também tem feito o preço cair – resume Zonin.

  • “QUALIDADE DA CARNE. ESTE É O CAMINHO.”

    HORÁCIO GUITOU – Pesquisador argentino
    Um dos responsáveis pela evolução genética da raça angus na Argentina, Horácio Guitou será um dos palestrantes do 3º Congresso Brasileiro de Angus, que começa hoje, em Porto Alegre.
    Como o melhoramento genético influencia na qualidade da carne?
    No rendimento de carcaça e na qualidade da carne. Para garantir isso estamos trabalhando com dados obtidos por meio de exames de ultrassom de animais vivos, o que nos permite mensurar a espessura de gordura da picanha, a espessura de gordura no contrafilé e a área de olho de lombo. Ainda trabalhamos para aferir o percentual de gordura intermuscular, o marmoreio. Para definir maciez, trabalhamos com quatro marcadores moleculares, proteínas que ajudam a medir a maciez.
    Qual a principal diferença entre a pecuária de corte argentina e brasileira?
    Basicamente, 80% da pecuária argentina está em clima temperado e 50% desses animais são angus. Nas zonas subtropicais, se localizam os 20% restantes, áreas onde se explora a criação de raças sintéticas. Mas é na zona temperada que estão os melhores animais, onde a pecuária é parecida com a praticada no sul do Brasil. A principal diferença entre os rebanhos é o tamanho, a Argentina tem 20 milhões de cabeças angus.
    Quais os desafios para a carne brasileira ser mais reconhecida em mercados exigentes, como Estados Unidos e Europa?
    A raça angus já trabalha com a divulgação da carne certificada com o objetivo de agregar valor ao produto. Os programas de certificação também auxiliam, assim como o trabalho para buscar maior rendimento e qualidade de carcaça. Este é o caminho.

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    A soja ficou mesmo de fora do acordo de prorrogação das dívidas de produtores que tiveram perdas no Sul do Estado. Por ora, apenas os arrozeiros serão contemplados. Os sojicultores atingidos, porém, podem tentar a negociação diretamente nos bancos, antes do vencimento e com laudo de perdas.

  • EMBAIXADA DO VINHO

    O vinho brasileiro terá uma embaixada em Porto Alegre. O espaço será inaugurado hoje, na Casa Destemperados, no bairro Moinhos de Vento. O local servirá para a divulgação e promoção da bebida nacional.
    – A mudança de conceito dos rótulos brasileiros perante o consumidor nos faz ter excelentes perspectivas para o setor nos próximos anos – avalia Dirceu Scottá, presidente do Instituto Brasileiro do Vinho (Ibravin).

  • Fonte : Zero Hora

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