• Que há pouca harmonia entre entidades representativas do leite no Rio Grande do Sul não é novidade para ninguém. Desde que o Instituto Gaúcho do Leite (IGL) foi criado, há dois anos, as diferenças foram escancaradas em discordâncias na definição das políticas voltadas ao setor. A Lei do Leite, criada para dar respostas às fraudes de adulteração do produto, passou por muito vaivém até ser aprovada pela Assembleia e regulamentada recentemente. Mas agora, com as escutas telefônicas divulgadas pelo Ministério Público Estadual (MP), envolvendo o secretário do IGL, Clóvis Marcelo Roesler, preso nesta semana, e o diretor executivo, Ardêmio Heineck, fica claro que o caminho para fortalecer a cadeia produtiva não pode ser esse.
    As interceptações feitas dentro da 11ª Operação Leite Compen$ado e 4ª Operação Queijo Compen$ado revelam uma articulação política de Roesler para tentar barrar as investigações sobre as fraudes no Estado e, ainda, “derrubar” o atual secretário estadual da Agricultura, Ernani Polo. Nos áudios, o secretário do IGL e ex-presidente da Associação das Pequenas Indústrias de Laticínios (Apil) diz que é “preciso colocar um dedo lá no MP”, referindo-se às constantes operações deflagradas pelo órgão. A divulgação dos áudios causou revolta. E não é para menos, já que o IGL foi criado justamente para fortalecer a imagem do leite gaúcho – após sucessivos escândalos envolvendo adulteração do produto.
    Por discordar da atuação do IGL, e não aceitar ter o mesmo peso de voto do que a Apil, o Sindicato das Indústrias de Laticínios e Produtos Derivados (Sindilat) nem sequer chegou a ocupar uma cadeira na entidade. O conflito abriu margem para grandes empresas do setor contestarem judicialmente a cobrança mensal do Fundo Estadual do Leite (Fundoleite) – destinado para ações de fortalecimento da cadeia. Com o dinheiro preso em juízo, o IGL alega não ter condições de colocar em prática as ações. Uma briga que parece não ter fim, e na qual quem sai perdendo é o consumidor.

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    Menos suínos à mesa
    Desde o agravamento da alta do preço do milho, entre abril e maio, o plantel de suínos vem sendo reduzido. Mesmo sem balanço oficial, a expectativa da Associação de Criadores de Suínos do Estado é de que, até o final do ano, de 25 mil a 30 mil matrizes sejam descartadas, o equivalente entre 7% e 9% do total. Hoje, há 340 mil matrizes.
    – A crise econômica, o alto custo e a falta de capital de giro, principalmente dos produtores integrados, pressionam a cadeia dos suínos – diz Valdecir Folador, presidente da entidade.
    Hoje, a média da saca de 60 quilos, após a entrada da safrinha brasileira de milho, está próxima aos R$ 45 para a indústria. No ano, já bateu em R$ 60. Para se ter uma ideia do impacto nos custos na suinocultura, no primeiro semestre de 2015, o valor era de R$ 25.
    Com menos dinheiro no bolso da população, há dificuldade em repassar os aumentos. Para reduzir os prejuízos, o setor vem ampliando as exportações. Foram 301,1 mil toneladas de carne suína in natura no primeiro semestre, alta de 55,5% na comparação com igual período de 2015.

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    No radar
    Gustavo Junqueira, atual presidente da Sociedade Rural Brasileira (SRB), foi indicado à vice-presidência de Agronegócios do Banco do Brasil. O nome de Junqueira foi apresentado ao presidente interino Michel Temer, com apoio do Partido Social Democrático (PSD), liderado pelo atual ministro de Ciência e Tecnologia, Gilberto Kassab.

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    Ensaio para arrancar
    As vendas domésticas de máquinas agrícolas e rodoviárias no país em junho tiveram o melhor resultado do ano. No mês, foram comercializadas 4.067 unidades, 18% a mais em relação a maio, conforme balanço divulgado pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea).
    Se comparados ao período de auge vivido pelo setor, os números ainda são bem inferiores. Mas, diante do quadro de recessão, qualquer ensaio de arrancada já representa um alento às indústrias.
    – Estamos vendo um movimento positivo, puxado pela valorização das commodities agrícolas. Em junho, muitos negócios foram fechados com recursos próprios dos produtores – afirma Cláudio Bier, presidente do Sindicato das Indústrias de Máquinas e Implementos Agrícolas (Simers).
    No acumulado do primeiro semestre, as vendas ficaram 30,9% abaixo do mesmo período do ano passado. A expectativa para tentar reduzir a queda até dezembro é depositada nos resultados do segundo semestre que, historicamente, são melhores. Para isso, insiste Bier, é preciso que haja recursos no Moderfrota – principal linha de financiamento de máquinas agrícolas.
    – O governo garantiu que não vai faltar crédito. Vamos confiar nisso para retomar os negócios com mais força – resume o dirigente.

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    Preços da safra de verão
    O Ministério da Agricultura divulgou ontem a relação dos preços mínimos das culturas de verão para a safra 2016/2017. Um dos destaques foi o aumento do arroz longo fino em casca para o Rio Grande do Sul e Santa Catarina, que passou a R$ 34,97 a saca de 50 quilos, alta de 17,86%.

    Fonte : Zero Hora

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