Duas culturas de inverno — canola e cevada — vêm ganhando espaço nas lavouras gaúchas neste ciclo. Embalados por preços atrativos de venda e com a expectativa de um clima mais favorável, os agricultores estão ampliando a área destinada às culturas. Com a plantação de canola praticamente encerrada e 70% da semeadura de cevada concluída no Rio Grande do Sul, a previsão é de aumento na produção dos grãos. Isso se as geadas derem uma trégua na primeira etapa de desenvolvimento das lavouras.

No caso da canola, a área cultivada registra alta de 4% em comparação com o mesmo período do ano passado. A expansão se deve ao preço da saca pago aos produtores no Rio Grande do Sul, comercializado a R$ 83,00 — equivalente ao da soja, à liquidez do produto no mercado e ao custo de produção mais baixo em relação ao trigo. Além disso, a canola tem pouca incidência de pragas e, ao utilizar menos defensivos, tem um custo de produção menor .

O Rio Grande do Sul é o maior produtor brasileiro do grão, responsável por 70% do volume colhido no país. O Estado deverá colher 58 mil toneladas, 35% a mais do que no ciclo anterior — se o tempo ajudar. Como o plantio se concentra no mês de maio, e na segunda quinzena do mês foram registradas 12 geadas, algumas lavouras se desenvolveram pouco. Em muitas áreas, a cultura necrosou e houve necessidade de replantio. Nada que reduza o otimismo. Segundo a Emater, o Estado deve colher 1,5 mil quilos por hectare neste ano, aumento de 30% sobre o ciclo anterior.

A propriedade do agricultor Euclides Serafini, localizada em Erechim, por exemplo, não sofreu nenhum dano até momento. Segundo o técnico agrícola Ezequiel Serafini, filho de Euclides, a família investe no cultivo do cereal há sete anos. A escolha foi baseada no clima na região ser propício, no preço atrativo para comercialização e pelo fato de conseguir liberar a terra para o plantio da soja antes do que ocorre com o trigo. Nesta safra, a família destinou 130 hectares ao cereal, área 30% maior do que nos anos anteriores, e acredita que conseguirá obter de 1,2 mil a 1,5 mil quilos por hectare.

— Esperamos que o clima continue auxiliando, sem geada fora de época e granizo — torce Serafini.

Bom tempo para a cevada
Os agricultores que investiram na plantação de cevada estão com sorriso de orelha a orelha. A expectativa é dobrar tanto a produção quanto a produtividade em relação à 2015. De acordo com a Emater, a cultura deve alcançar 109 mil toneladas em 2016, quantidade bem superior as 47,4 mil toneladas colhidas no ano passado, quando houve quebra de 50%. A média por hectare deverá ficar em 2,7 mil quilos.

— Neste ano o cenário está mais favorável, bem diferente do que aconteceu em 2015 quando as lavouras de cevada registraram muitos problemas em função das chuvas — comenta o gerente regional adjunto da Emater Passo Fundo, engenheiro agrônomo Cláudio Doro.

O bom momento também está relacionado ao valor da saca, que equivale ao preço do trigo. O cenário econômico motivou a família do agricultor Juliano de Souza Carmo, de Pontão, no Norte, a voltar a produzir o cereal, destinando 30 hectares. Assim como a família Carmo, outros agricultores decidiram investir na cevada, o que colaborou para o aumento de 14,45% da área de cevada no Rio Grande do Sul. O clima também tem sido um grande aliado para o bom desenvolvimento da lavoura. De acordo com Doro, a sanidade e a germinação da lavoura apresentam bom desempenho.

— A cevada é mais tolerante ao frio, não sofre tanto com a geada e, neste ano, a previsão é de que o volume de chuva reduza em função do efeito La Niña, o que é ideal — comenta Doro.

Carmo comemora o desenvolvimento de sua plantação e acredita que colherá cerca de 3 mil sacas do grão. Toda a safra já foi negociada com uma cooperativa de Não-Me-Toque. Com isso, o agricultor conseguirá escoar a produção em um período de tempo mais curto, e a um custo inferior de quando negociava sem intermediários.

Por Zero Hora

Fonte : CNA

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