Ana Paula Paiva/Valor

Edival Silva, da MSD, afirma que concorrência no segmento tende a crescer

Quase três anos após fechar duas fábricas e reestruturar as operações no Brasil, a MSD Saúde Animal, braço veterinário da farmacêutica Merck, protagonizou na semana passada a maior aquisição da história do setor no país. A compra da mineira Vallée, por R$ 1,285 bilhão (cerca de US$ 400 milhões), alçará a empresa à liderança do segmento no Brasil.

“A expectativa é chegar a um faturamento de R$ 1 bilhão. Temos tudo para ser a maior”, estimou ao Valor o presidente da MSD no país, Edival Santos. Combinadas, as duas empresas alcançariam um faturamento de R$ 833 milhões, montante superior aos quase R$ 700 milhões que a líder Zoetis registrou no Brasil em 2015.

Cauteloso, Santos fez questão de destacar que a MSD ainda não assumiu a liderança, mesmo porque a transação depende do aval do Conselho de Administrativo de Defesa Econômica (Cade). A expectativa do executivo é que o órgão aprove a aquisição durante o quarto trimestre deste ano. Além disso, a concorrência segue na disputa. “Vai ficar parelho”, afirmou.

Para a MSD, a compra da Vallée representa o retorno à produção de vacinas contra o vírus da febre aftosa. Trata-se do maior mercado para a indústria veterinária no Brasil, movimentando anualmente R$ 350 milhões.

A companhia produzia as próprias vacinas até 2012, quando decidiu fechar a fábrica de Fortaleza devido a não conformidades com as normas de biossegurança. À época, a MSD considerou que o investimento para a adaptar a fábrica era elevado. A alternativa encontrada para seguir no mercado de vacinas foi adquirir o produto feito pela própria Vallée.

Ao deixar de produzir vacinas, a MSD perdeu margens nas vendas, reconheceu Santos. Com a compra da Vallée, a empresa conseguirá reduzir custos de produção e, com isso, recompor margens, afirmou.

Mas há também desafios no mercado de vacinas contra aftosa. De acordo com o presidente da MSD, novas empresas ingressaram na produção de vacinas nos últimos anos, o que provocou uma excedente de capacidade de produção no país. Diante disso, o preço médio da vacina recuou desde 2014, acrescentou ele.

Mas a Vallée não é apenas uma fábrica de vacinas contra o vírus da aftosa, enfatizou Santos. Tradicional na pecuária, a marca da companhia mineira será mantida. A empresa também pretende manter as equipes de vendas de MSD e Vallée separadas. Juntas, as duas empresas têm 1 mil funcionários.

A Vallée também incrementará o portfólio da MSD. Com uma fábrica em Cruzeiro (SP), a americana não produz medicamentos como antibióticos injetáveis para bovinos e vacinas contra raiva, dentre outros. “A fábrica da Vallée nos complementa bem”, disse.

No médio prazo, Santos espera aproveitar a capacidade da unidade da Vallée, localizada em Montes Claros (MG), para reduzir a dependência dos produtos importados. Com o dólar mais valorizado, os resultados da companhia sofrem. Na área de bovinos, que responde por 50% das vendas da MSD no país, mais da metade dos produtos são importados dos EUA e da Europa.

No curto prazo, porém, a situação não deve mudar. Em 2016, as margens da indústria veterinária brasileira estão menores por conta da dificuldade para repassar a alta do dólar aos preços dos produtos finais. “Quem não depende de produtos importados, depende de matéria-prima”, afirmou o executivo.

Por Luiz Henrique Mendes | De São Paulo

Fonte : Valor

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