Empresa investirá até R$ 45 milhões em infraestrutura no país, afirma Carlos Pellicer, presidente da UPL no Brasil
Presente no Brasil há pouco mais de uma década, a indiana UPL, fabricante de agroquímicos genéricos, tem a ambiciosa meta de figurar entre as sete maiores empresas do setor no país até 2017 – hoje, é a 12ª. Para garantir essa arrancada, com a qual pretende levar o faturamento local para mais perto do US$ 1 bilhão, a decisão foi remar contra a maré. A UPL está mantendo investimentos mesmo em meio às incertezas político-econômicas, lançando-se ao desafio de reinventar o uso de moléculas cujas patentes já expiraram – e o resultado dessa estratégia, diz a companhia, já se reflete nas vendas.

Enquanto o setor amarga no Brasil uma queda de 25% na receita em dólar no primeiro semestre de 2015, nas contas do Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Defesa Vegetal (Sindiveg), a UPL informa ter crescido acima de 40% no período. “A empresa está em crescimento, e nossa base ainda não é tão alta, mas é um avanço expressivo no momento em que o mercado está caindo”, disse ao Valor Carlos Pellicer, presidente da UPL no Brasil.

Principal empresa de defensivos da Índia, a UPL começou a atuar no Brasil em 2003, vendendo produtos importados. Mas foi em 2011 que estreitou seus laços no país, com a aquisição do controle da subsidiária brasileira do grupo alemão DVA, da qual herdou a estrutura fabril em Ituverava (SP).

Globalmente, a empresa prevê elevar seu faturamento em 4,5% no ano fiscal que se encerra em março de 2016, para US$ 2,3 bilhões. A UPL não revela sua receita no Brasil, mas fontes de mercado calculam algo em torno de US$ 400 milhões. “O Brasil já é o terceiro mercado para a UPL, atrás da Índia e dos EUA, e queremos chegar a US$ 1 bilhão no país em quatro a cinco anos”, adiantou Pellicer, que administra a empresa a partir da sede em Campinas (SP). Além dos defensivos, o grupo mantém negócios em sementes e fertilizantes.

Nos últimos 10 anos, a empresa investiu no Brasil em torno de R$ 500 milhões em pesquisa e desenvolvimento, requisição de registros e na criação de uma estação experimental. À recente ampliação da força de vendas, somam-se este ano aportes em infraestrutura que podem chegar a R$ 45 milhões. Desse total, R$ 5 milhões já foram injetados no laboratório de formulações, mas o projeto deve absorver mais R$ 10 milhões. Outros R$ 10 milhões devem ser direcionados à estação experimental e mais R$ 20 milhões à ampliação da fábrica, que ficará pronta até meados de 2016.

Esse pacote de investimentos é justificado pelo esforço da companhia em criar um segmento que não existia, disse Pellicer. “Há empresas que inventam moléculas e outras que trabalham com pós-patentes. Mas nos desafiamos a criar um novo segmento, que é o de reinventar moléculas já existentes”. Na prática, a UPL parte de defensivos já consagrados e busca novos usos e misturas.

Fruto dessa reorientação foi o recente lançamento de produtos que chama de “protetores”: defensivos que resguardam outros agroquímicos já tradicionalmente aplicados em soja e milho, que vinham sofrendo com a crescente resistência de fungos e bactérias.

Investir na produção local é outro vetor importante da estratégia da indiana. Hoje, a UPL importa cerca de 70% do que comercializa no Brasil, mas a intenção é reverter essa proporção em três anos. Para isso, analisa a possibilidade de erguer uma unidade de síntese de moléculas no país que absorveria de R$ 150 milhões a R$ 200 milhões, com capacidade de exportação para América Latina, EUA e Canada. “Existe uma situação complexa na política brasileira, mas achamos que agora é que temos de investir mais no país, para chegar onde queremos”, afirmou Pellicer.

Apesar de focada em crescimento orgânico, a UPL tem ainda grande interesse em aquisições. A mais recente foi a compra de 40% do capital da revenda e trading mato-grossense SinAgro, em março, por um valor não revelado. “Nosso objetivo é estar mais perto dos agricultores, e a SinAgro produz e conhece a cabeça dos produtores”, observou Pellicer. A SinAgro tem um faturamento estimado em R$ 1,7 bilhão em 2015, mais até que o da própria UPL no Brasil.

Sobre as fusões – concluídas e cogitadas – que sacudiram o setor no último ano, a UPL esboça tranquilidade. Apesar da fracassada tentativa de união entre Monsanto e Syngenta, juntaram-se, por exemplo, Arysta e Chemtura, e FMC e Cheminova. “Vemos tudo como uma grande oportunidade. Essas empresas terão que vender parte das operações ao se fundirem e somos sérios candidatos à compra”, garantiu.

Por Mariana Caetano | De Campinas
Fonte : Valor

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