A produção de algodão nos EUA deverá crescer 14% na safra 2016/17, para 3,2 milhões de toneladas, e esse aumento tende a gerar um amplo excedente exportável que poderá elevar os embarques globais do produto em 18% na temporada. As projeções são do Conselho Consultivo Internacional do Algodão (Icac), e estão sendo divulgadas dias depois de Washington ter anunciado um novo subsídio de US$ 300 milhões a seus cotonicultores. Os recursos serão destinado ao descaroçamento e certamente melhorarão a competitividade dos cotonicultores do país.

O Brasil diz esperar que esse gasto seja compatível com os compromissos dos EUA na Organização Mundial do Comércio (OMC) – e sustenta que, mesmo pequeno para os padrões dos EUA, o subsídio pode, sim, ter impacto expressivo sobre produtores de países concorrentes. Em uma sessão especial sobre algodão na OMC, os americanos insistiram que a ajuda será oferecida apenas nesta safra, algo do que duvidam especialistas que conhecem como as coisas funcionam em Washington.

Apesar de prever um incremento das exportações globais, o Icac projeta que os preços do algodão poderão até subir no ciclo 2016/17 – mas não há razões para júbilo, conforme afirmou o diretor-executivo da entidade, José Sette, aos países-membros da OMC. A commodity continua sofrendo enorme concorrência de fibras sintéticas como o poliéster. Além disso, há mais de 13,6 milhões de toneladas em estoque no mundo. Mais da metade desse volume está em poder da China, e Pequim tenta, de forma “prudente e ordenada” esvaziar um pouco seus armazéns,

Conforme o Icac, o preço atual do algodão, um pouco abaixo de 70 centavos de dólar por libra-peso na bolsa de Nova York, está perto da média histórica, e para 2016/17 a entidade estima uma alta para 72 centavos de dólar, ainda que a oferta chinesa possa brecar a ascensão. Na OMC, Pequim destacou que suas volumosas importações de algodão desde que a China entrou na OMC, em dezembro de 2001 – foram 38 milhões de toneladas no total -, gerou quedas de 30% na área cultivada e de 9% na produção do país. Agora, a expectativa é que a área chinesa caia 10% com o alto custo de produção e o menor apoio do governo.

Em amplo “outlook” divulgado ontem (ver texto abaixo), a FAO, a agência da ONU para agricultura e alimentação, confirmou que o Brasil deverá se tornar o segundo maior exportador mundial de algodão até 2025. Mas a maior parte da produção dos diferentes países, a brasileira inclusive, é consumida domesticamente. Os maiores produtores são Índia, China e EUA, e os americanos encabeçam as exportações globais.

Num cenário em que a China tenta reduzir seus estoques, outros países da Ásia, sobretudo Vietnã e Bangladesh, deverão elevar as compras no exterior, como projeta a FAO. Cada um desses três países responde por uma fatia de 12% das importações globais de algodão.

Mais sobre preços em Brasil é destaque em projeções de longo prazo de FAO e OCDE

Por Assis Moreira | De Genebra

Fonte : Valor

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