Fernando Martins, agora na AgroTools: migrando para o “insight as service”
Correção: Fernando Martins esteve cinco anos no comando da Intel no Brasil, e não 20 como constava da matéria.

Fernando Martins, ex-CEO da Intel Brasil, acaba de dar mais uma virada na carreira. Após cinco anos no comando da companhia americana no país, Martins assume oficialmente hoje a presidência da AgroTools, empresa de tecnologia digital voltada ao agronegócio.

O anúncio será feito nesta manhã na sede do Google, em São Paulo, durante a abertura do “Agrofuture”, evento que discutirá desafios e oportunidades da produção rural na era da tecnologia.

Martins fará sua estreia no campo como novo sócio em uma empresa com nove anos de existência, faturamento não revelado e 100 clientes no portfólio. Mas com a pretensão de transformar o campo em uma “federação de dados”, com uma conectividade como jamais se viu, disse ele ao Valor – já se apropriando de seu “background” digital para sinalizar o que vem por aí.

Criada dentro do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), em São José dos Campos, e hoje sediada em São Paulo, a AgroTools é uma empresa de gestão territorial e geotecnologia para o agronegócio. Graças ao trabalho de monitoramento por imagens realizado pela companhia, passou a ser possível, por exemplo, saber de onde vem a carne bovina que consumimos. Assim como ampliou o acesso mais confiável de dados de produtividade, o que reduz o risco do pecuarista e da instituição financeira, potencialmente barateando o crédito.

JBS, Marfrig, Minerva e outros 30 frigoríficos de menor tamanho já usam a base de dados compilada pela AgroTools para monitorar riscos e elevar a eficiência operacional. Bunge, Walmart, McDonald’s e o BID também são clientes da empresa, formada por 60 funcionários multidisciplinares que trabalham em uma arquitetura de dados que cria algoritmos inteligentes para identificar de onde sai a produção. Eles levantam e cruzam 53 tipos de documentos, 186 camadas de dados e 730 subcamadas (combinação dessas informações), num tráfego constante de informação que consome 10 terabites.

“Transformamos um bando de dados em um banco de dados”, resume Sergio Rocha, sócio-fundador da AgroTools, que será substituído por Martins na presidência.

A chegada de um ex-Intel é um marco importante na breve história da AgroTools. O executivo, que nos últimos dois anos foi responsável pelo planejamento e projetos de inovação da múlti no país, deverá agora acelerar processos tecnológicos que conhece bem, levando o universo das “nuvens” da maior à menor propriedade rural do país.

“Estamos migrando do ‘software as a service’ para o ‘insight as service’”, diz Martins, referindo-se à necessidade de prover conhecimento, e não apenas dados. Segundo ele, os dados são hoje mais acessíveis, mas o desafio está em transformá-los em informação.

“Uma empresa de sementes terá um retorno sobre a produtividade de determinado grão através da colheitadeira usada na fazenda, sem que as empresas tenham jamais se falado. Só porque estão conectados”, exemplifica Martins.

No evento de hoje, a companhia anunciará também novas parcerias com a Scot Consultoria (no segmento de terras), WWF e com o próprio Google, segundo adiantaram os executivos, sem detalhar. Também será apresentado um novo produto focado na conectividade do pequeno e médio agricultor.

Desde que surgiu, a AgroTools utilizou capital próprio dos sócios para os investimentos iniciais e reinvestimentos no desenvolvimento de tecnologias e produtos. Agora, a intenção é buscar algum tipo de investidor. A empresa já chegou a um ponto de maturidade que demanda isso, afirmou Rocha. “Temos 150 milhões de hectares monitorados no país”, diz ele, uma área equivalente aos territórios da França, Itália, Alemanha e Portugal juntos. “Só para a JBS, monitoramos 15% do território nacional. O [monitoramento] para o Walmart equivale a todo o Reino Unido”.

Por Bettina Barros | De São Paulo

Fonte : Valor

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