O governo federal anunciou ontem que vai recorrer ao feijão da Argentina, do Paraguai e da Bolívia para tentar conter a alta dos preços do produto ao consumidor brasileiro – apenas na última semana, o feijão preto subiu 20% em São Paulo. Segundo a assessoria de imprensa da Presidência, o presidente interino, Michel Temer, solicitou ao ministro da Agricultura, Blairo Maggi, que tome as providências necessárias para agilizar as importações.

Em entrevista ao Portal do Planalto, Maggi disse que está sendo estudada a possibilidade de importar o produto também do México – o que depende da assinatura de um acordo sanitário -, e da China. O ministro afirmou que os preços subiram em função de adversidades climáticas que afetaram a safra do Centro-Oeste. Os principais problemas, porém, foram causados pelas chuvas no Sul e pela seca em Minas, maiores regiões produtoras do país.

Ontem, à noite, o Ministério da Agricultura divulgou nota informando que vai propor a redução a zero da alíquota de importação de feijão, de qualquer país, à Câmara de Comércio Exterior (Camex), em reunião nesta tarde. Hoje a alíquota é de 10% na Tarifa Externa Comum (TEC). O ministério proporá a inclusão do feijão na lista de exceções à TEC por 90 dias.

O presidente do Instituto Brasileiro do Feijão e Pulses (Ibrafe), Marcelo Eduardo Lüders, considerou um avanço a intenção do governo de facilitar a importação de feijão, mas afirmou que apenas a oferta dos vizinhos sul-americanos não resolverá o problema de abastecimento do Brasil. “Já podemos importar do Mercosul e o fazemos da Argentina. A Bolívia tem pouco feijão e o Paraguai não tem nada”, disse ao Valor.

“Quem tem feijão agora são México e China. O resto do Hemisfério Norte só terá oferta disponível em outubro. E o governo ainda não fechou acordo com esses países”, observou. No fim de maio, o Ibrafe havia enviado ofício aos ministérios da Fazenda e da Agricultura solicitando o cancelamento da TEC nas compras de fora do Mercosul.

Segundo Lüders, em dezembro a safra de verão do feijão começa a ser colhida e o mercado tende a se normalizar – hoje, há cidades sem abastecimento há duas semanas, o que nunca havia acontecido. Segundo o Ibrafe, o déficit de feijão é de 650 mil toneladas, levando em conta uma safra de 2,7 milhões de toneladas e um consumo de 3,4 milhões.

Por Bruno Peres, Edna Simão e Fernanda Pressinott | De Brasília e São Paulo
Fonte : Valor

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