Claudio Belli/Valor

Mendonça, presidente da Odebrecht Agroindustrial, diz que empresa espera reduzir alavancagem para abaixo de 5 vezes

Chegou ao fim ontem o processo de renegociação da dívida de R$ 11 bilhões da Odebrecht Agroindustrial, braço sucroalcooleiro da holding Odebrecht, após meio ano de conversas com os principais credores. A companhia receberá da controladora uma capitalização total equivalente a R$ 6 bilhões, dos quais utilizará R$ 2,5 bilhões para o abatimento imediato da dívida. O restante desse passivo, R$ 8,5 bilhões, será pago em 13 anos, informou Luiz de Mendonça, presidente da Odebrecht Agroindustrial, ao Valor.

Nos cinco primeiros anos, a sucroalcooleira pagará apenas os juros da dívida com os credores e, nos oito anos seguintes, a companhia pagará a amortização da dívida principal além dos juros. Segundo uma fonte a par do assunto, houve redução do custo da dívida, mas a companhia preferiu não comentar esse tema.

A capitalização financeira da holding para a Odebrecht Agroindustrial conta com mais R$ 1,5 bilhão, que ficarão no caixa da companhia para financiar a manutenção de suas operações agrícolas e industriais. Dessa forma, a dívida líquida da empresa fica agora em R$ 7 bilhões.

Além disso, a Odebrecht S.A. transferirá de volta à sua controlada os nove ativos de cogeração de energia elétrica a partir do bagaço de cana-de-açúcar, avaliados em R$ 2 bilhões. Essa transferência ocorrerá até 31 de março do próximo ano, quando se encerra a safra atual (2016/17). Essas unidades, que têm capacidade de geração de energia de 2,7 gigawatt-hora (GWh), podem gerar um caixa adicional à Odebrecht Agroindustrial de R$ 350 milhões a R$ 400 milhões por ano,

O braço sucroalcooleiro do grupo deve ainda mais R$ 2 bilhões em debêntures à holding, que não entraram na negociação nem na conta da dívida de R$ 11 bilhões, segundo o diretor financeiro da companhia, Alexandre Perazzo.

Ele disse também que as garantias referentes a cada dívida com os credores que foi renegociada, como ativos fixos e recebíveis de açúcar e etanol, foram mantidas, mas preferiu não dar mais detalhes da operação. Estão entre os principais credores o Bradesco, o Itaú, o Santander, o BNDES e o Banco do Brasil.

Com o abatimento de parte da dívida, a companhia espera reduzir sua alavancagem – relação entre dívida líquida e Ebitda – de 10,6 vezes para abaixo de 5 vezes. “Pretendemos fazer uma desalavancagem rápida nos primeiros três a quatro anos”, afirmou Luiz de Mendonça.

O acerto com os credores dá um fôlego para as operações da Odebrecht Agroindustrial. “Com este acordo, temos a tranquilidade de vender nosso etanol ou açúcar nos melhores momentos da safra”, disse o presidente da companhia, sinalizando que pode aumentar a reserva de etanol hidratado – utilizado diretamente no tanque dos veículos – para ser comercializado na entressafra.

A empresa espera que o faturamento da safra 2016/17 cresça quase 10% em relação ao ciclo passado, próximo do avanço esperado para a moagem de cana-de-açúcar. Nos cálculos da sucroalcooleira, deverão ser processadas nesta safra 31 milhões de toneladas, ante 29,2 milhões de toneladas na safra passada – um aumento de 6%.

O foco da Odebrecht Agroindustrial deve continuar na produção de etanol. Atualmente, as vendas do biocombustível (incluindo hidratado e anidro) representam cerca de 70% do faturamento da companhia. Com a entrada dos ativos de cogeração no guarda-chuva da empresa, a expectativa é que a exportação de energia elétrica para a rede represente cerca de 10% do faturamento, enquanto as vendas de açúcar corresponderão a uma parcela de 15% e, de etanol, 75%.

O aporte da holding também deve permitir à Odebrecht Agroindustrial investir R$ 500 milhões por ano para a renovação de canaviais, tratos culturais, renovação da frota de máquinas agrícolas e aumento de eficiência nas unidades industriais.

Fonte: Valor

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