A persistente redução na oferta de leite para processamento no país fez o preço médio ao produtor nacional subir 4,43% em junho deste ano, de acordo com levantamento da Scot Consultoria. A alta mensal é a maior já registrada na série histórica da Scot, que iniciou a pesquisa de preços ao produtor em março de 1998.

Em junho, os produtores receberam, em média, R$ 1,108 pelo litro de leite entregue em maio – no pagamento anterior, o preço médio ficou em R$ 1,061, segundo a Scot. Na comparação com junho de 2015, a alta alcança 16,6%, considerando valores nominais. O levantamento da Scot consulta 145 laticínios em 18 Estados brasileiros.

A menor oferta de leite no país eleva a disputa pela matéria-prima entre as indústrias de lácteos ainda que não haja aquecimento na demanda pelos produtos finais.

De acordo com o índice de captação de leite da Scot, em junho o indicador recuou 2,6% em relação a igual mês de 2015. No primeiro trimestre do ano, segundo o IBGE, as aquisições de leite pelas indústrias caíram 4,5% na comparação com igual período de 2015, somando 5,86 bilhões de litros.

Na avaliação de Rafael Ribeiro, analista da Scot, a produção de leite no país este ano deve cair 1,5% a 2% em relação a 2015. Para ele, o clima deve ser mais favorável à produção no segundo semestre e os preços do milho, que já começaram a recuar, devem pressionar menos os custos. A alta do grão, usado na ração dos animais, foi um dos fatores de desestímulo à produção neste ano.

Ribeiro observa que o aumento dos preços ao produtor de leite ainda é bem inferior à dos custos de produção. Enquanto a cotação subiu 16,6% em um ano, os custos tiveram alta de 28,4% no mesmo intervalo. “A margem do produtor está se estreitando”, diz. “O produtor está vendendo uma vaca para alimentar outras”, comenta.

Como reflexo da disputa pelo leite no mercado, os preços no spot (negociação entre empresas) também seguem em alta, segundo a Scot. Em junho, em São Paulo, a alta no valor médio foi de 15,5%, para R$ 1,839 por litro.

Há também valorização do leite longa vida no atacado, mas o varejo tem tido dificuldade em fazer repasses. Conforme a Scot, entre maio e junho, o longa vida saiu de R$ 2,71 o litro, em média, para R$ 3,33 no atacado paulista.

Segundo Ribeiro, em média, a margem de comercialização no varejo em relação ao atacado é de 28%, considerando a série histórica da Scot iniciada no ano de 2000. Mas, nos últimos três meses, essa margem caiu para 15%, em média, sinal da dificuldade de repasse.

“Os preços devem seguir firmes até agosto, mas é preciso ficar atento às importações de lácteos. Se elas se prolongarem até julho, e a safra vier mais forte, os preços ao produtor podem cair”, diz. De janeiro a maio, as importações de lácteos do Brasil cresceram 51% sobre igual período de 2015, para 80,567 mil toneladas, de acordo com dados da Secex.

Por Alda do Amaral Rocha | De São Paulo

Fonte : Valor

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