A reestruturação da dívida da Odebrecht Agroindustrial tira uma espada da holding do grupo, a Odebrecht S.A. (ODB), que fechou 2015 com R$ 109 bilhões de dívida bruta. Esse fôlego extra não saiu de graça. A dívida bruta consolidada do grupo aumenta com a renegociação. O compromisso-alvo da revisão de contratos com os bancos que era de R$ 11 bilhões passará, no consolidado, a R$ 12,5 bilhões, quando a reorganização for de fato concluída.

A Odebrecht Agroindustrial ficará com R$ 8,5 bilhões em dívida e a holding, com R$ 4 bilhões. A reestruturação dos débitos da unidade sucroalcooleira ainda deve levar o melhor ativo do grupo em garantia: ações preferenciais da petroquímica Braskem.

Para abater R$ 2,5 bilhões da dívida da Agroindustrial e ainda deixar na subsidiária um caixa de R$ 1,5 bilhão, a ODB fará um aporte em dinheiro de R$ 4 bilhões.

Os recursos da capitalização virão de novos financiamentos que terão as ações preferenciais da Braskem como garantia. Por isso, a captação será feita pela holding da petroquímica – Odebrecht Serviços e Participações (OSP).

Os contratos ainda não foram assinados e há debates importantes pendentes. Se não houver acordo, a reestruturação da Agroindustrial fica ameaçada. Consultada, a Odebrecht afirma que o acordo para o crédito foi assinado com toda a reorganização e que o depósito deve ocorrer nos próximos dias.

Para a ODB, a solução da situação da Agroindustrial é crucial. A companhia tinha dívidas vencidas na unidade, e a holding era garantidora dos débitos. A situação não se agravou porque os bancos foram esticando o vencimento, em contratos de curta duração – conhecidos no jargão financeiro como “standstill”. Por ser garantidora é que a holding aceitou comprometer ações da Braskem.

Essa garantia é a segurança que os bancos cobraram para esperar o reforço de liquidez que o grupo espera ter com a venda de ativos. No total, ODB espera levantar até R$ 12 bilhões entre este ano e o primeiro semestre de 2017.

A situação da Agroindustrial poderia implodir a Organização Odebrecht, disparando compromissos em cascata, caso não fosse alcançado um acordo. A solução acaba com a iminência desse risco, por parte da Agroindustrial. A parte da negociação com a subsidiária está praticamente concluída.

Falta, contudo, a assinatura para as linhas dos R$ 4 bilhões. Segundo a companhia, a operação não mexe com as estruturas de garantias do grupo. Conforme o Valorapurou, o grupo tentou junto uma solução de maior alcance, para diminuir os riscos da organização.

De acordo com fontes próximas aos credores, o maior desafio da ODB é liquidez para os projetos em andamento. As instituições estão reticentes em ampliar a exposição ao grupo, até porque ainda não está claro qual o futuro do negócio. Embora não tenha dívida direta, ODB tem compromissos com seguros, garantias e suporte de capital com diversas controladas.

Além disso, há expectativa sobre um acordo de leniência, no Brasil e nos Estados Unidos, por conta das acusações de corrupção no âmbito da Operação Lava-jato. Existe uma negociação formal, mas nenhuma definição. Muitas instituições ficam têm restrições para novos empréstimos diante disso.

Por Graziella Valenti | De São Paulo

Fonte : Valor

Compartilhe!