Fonte:Henrique Bighetti / Canal Rural

Para a associação dos produtores, apesar da quantidade produzida, a qualidade do produto entregue será boa

 

Em Mato Grosso, os produtores torcem para não chover no período da colheita do algodão. Este ano, a área semeada com a pluma é maior, mas a produção foi prejudicada pelo clima.

“Houve pouca precipitação no começo, depois janeiro e fevereiro choveu bastante e, na sequência, tornou a faltar chuva novamente, então foi um ano bem atípico, no qual o El Niño influenciou o plantio em Mato Grosso”, avaliou o produtor rural Herlan Rogério Meinke, que já iniciou a colheita em sua propriedade, em Campo Verde, no sul do estado.

Nesta salfra, Meinke cultivou a mesma área do ano passado: 500 hectares – 280 na safrinha e 220 na safra. “Na safra, a gente espera tirar um pouco a mais, que foi uma jogada boa que fizemos ao plantar. A produção vai ser bem maior que o ano passado, então há uma perda aqui e um ganho ali, então a gente espera que não tenha prejuízo esse ano” disse o produtor.

Para o vice-presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), Milton Carbuggio, apesar de uma safra um pouco menor, a qualidade será boa. “Nós temos uma área de plantio um pouco maior do que o ano passado, mas teremos uma safra menor em produção. Acredito que teremos uma qualidade boa, sem muitos problemas”, disse.

Para o presidente da Associação Mato-grossense dos Produtores de Algodão (Ampa), Gustavo Picolli, o algodão não foi exceção em um ano em que várias culturas sofreram por causa do clima. Segundo ele, a maior parte do algodão plantado em Mato Grosso é o de segunda safra e, tendo em vista a questão climática, a janela de plantio ficou mais estreita.

Picolli afirma que, apesar dos contratempos, a safra será parecida com a do ano passado. “Ou talvez até 5% inferior, mas precisamos colher para ver os pesos das maçãs”, disse o presidnete da Ampa.

Preço
Se o clima não ajudou, os preços menos ainda. As cotações atuais do algodão não animam o produtor, que acreditam em margens bem apertadas entre lucro e custos. “Achamos que estamos dentro da média e a expectativa não são de preços altos, então, nós estamos trabalhando muito perto do custo de produção. A margem é muito estreita e a gente espera que isso melhore para o próximo ano”, disse Picolli.

No âmbito político, o secretário agrícola do Ministério da Agricultura Neri Geller prometeu dar mais atenção ao setor em sua gestão e uma das medidas a serem tomadas de imediato é a criação do preço mínimo para o algodão.

  • Pedro Silvestre | Campo Verde (MT)
  • Fonte : Canal Rural

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