Recuperação de pastagens, adubação e melhoramento genético são algumas das tecnologias adotadas pelos produtores para evitar o desmatamento

Na região, apenas 20% das áreas podem ter produção agropecuária Na região, apenas 20% das áreas podem ter produção agropecuária
Foto: Divulgação

Rio Branco (AC) – É no cantinho do mapa do Brasil, no estado que representa apenas 1,92% de todo o território nacional, que são abatidos alguns dos melhores bovinos do País. Lá, no meio da mata amazônica, o compromisso com o meio ambiente é real, aliás, obrigatório, e a única opção para o pecuarista é crescer em produtividade.

Um estado que de tão longe, em tom de brincadeira, dizem que não existe. Passou Juara (MT), Juína (MT), Vilhena (RO), Ji-Paraná (RO), Ariquemes (RO). Quilômetros de estrada de terra, pneu furado, reserva indígena, balsa sobre o rio Madeira e após uma semana de expedição a reportagem do DCI chegou a Rio Branco (AC), junto com a última etapa do Rally da Pecuária, promovida pela Agroconsult em junho.

No Acre, apenas 20% das áreas podem ser convertidas em produção agropecuária, os outros 80% devem ser mantidos em reserva legal – e este é o percentual atribuído dentro das propriedades. Ou seja, dos 2.500 hectares do pecuarista Frederico Lemos, 500 hectares são de pasto e 2.000, de floresta. O veterinário e criador de gado, Edivan Macial de Azevedo, conta que a distância entre o estado e os fornecedores de insumos é muito grande, o que inviabiliza a agricultura. Em comum, ambos apostam na tecnologia e na recuperação de pastagens degradadas para avançar na pecuária.

Estratégias

“Mesmo em um cenário desafiador, você não pode perder o trabalho que está fazendo. Há cerca de 3 anos que usamos o ABC [Programa Agricultura de Baixo Carbono] para recuperação de pastagens que estavam totalmente degradadas. Entramos no ABC para não desmatar”, afirma Lemos.

O Plano ABC é uma das linhas de crédito do Plano Safra, disponível para a adesão de tecnologias que mitiguem as emissões de carbono, dentre elas a recuperação de pastagens degradadas. Vale destacar que o boi é um dos maiores emissores de gases do efeito estufa do mundo por meio da flatulência.

Segundo o Ministério da Agricultura, a Região Norte é responsável por 10% do total de contratos do ABC. Dados do Banco do Brasil mostram que já foram liberados em torno de R$ 62,75 milhões em recursos para recuperação de pastagens aos acreanos, 87,26% do programa para o estado.

Na propriedade de Lemos, o investimento permitiu a recuperação de pelo menos 100 hectares e o crescimento de 40% no rebanho. “Daqui para frente não temos mais áreas para abrir, só podemos melhorar em produtividade. Temos outros financiamentos de custeio e reposição do rebanho”, comenta o pecuarista.

Para crescer verticalmente, Azevedo ressalta o uso de correção e adubação do pasto, além do melhoramento genético dos animais.

Áreas

Ao DCI, o presidente do Instituto do Meio Ambiente do Acre (Imac), vinculado ao governo do estado, Paulo Roberto Viana de Araujo, destacou que apenas 13% das áreas acreanas são abertas e a pecuária caminha de maneira sustentável. A entidade trabalha em parceria com o Banco do Brasil e a instituição financeira tem fomentado a adesão ao Plano ABC.

“Quando o produtor está pleiteando o financiamento, ele nos procura. Indicamos melhoria de genética, reformas de pastagens e o que for mais adequado. Entre propriedades de médio e grande porte não há mais desmatamento”, diz Araujo. Se considerados os pastos degradados, acrescenta o presidente, ainda existem áreas que podem ser abertas, mediante projetos de porte raso e uma análise técnica.

Durante evento do Rally em Rio Branco (AC), o coordenador da expedição e sócio-consultor da Agroconsult, Maurício Palma Nogueira, enfatizou a importância de identificar os níveis de degradação do pasto. Segundo o especialista, é classificada como degradada a área em que o pasto não possui capim. “Se eu controlar as invasoras e adubar não adianta, já perdi”, afirma. A nível nacional, apenas 3,86% das pastagens encontram-se neste estágio, de acordo com os dados do Rally 2015.

Do melhor ao pior

No próximo dia 13, a JBS vai implantar no Acre e em Rondônia um plano de remuneração diferenciada ao pecuarista de acordo com a qualidade da carne. O frigorífico categoriza as carcaças entre verde (desejáveis), amarelo (toleráveis) e vermelho (intoleráveis). O gado ‘verde’ renderá R$ 2 adicionais por arroba, os ‘amarelos’ terão preço de balcão e os ‘vermelhos’, R$ 5 a menos.

“Queremos fazer isso para reduzir a disparidade entre os níveis de qualidade. O gado do Acre está acima da média nas carcaças verdes, mas também é o maior no vermelho. Nosso desafio é reduzir isso”, completa o diretor de relacionamento com pecuaristas do JBS, Fábio Dias. /A jornalista viajou a convite do Rally da Pecuária

Nayara Figueiredo

Fonte DCI

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