MATEIROS,TO. 12/05/2015. Colheita de milho na Fazenda Recanto no municipio de Mateiros, regiao do Jalapao. ( Foto: Lalo de Almeida/Folhapress TRAINEES ) ***EXCLUSIVO***

Colheita de milho na Fazenda Recanto no município de Mateiros, região do Jalapão

O desempenho do milho na balança comercial deste primeiro semestre indica o motivo de as indústrias enfrentarem uma escassez de cereal nos últimos meses.

As exportações de janeiro a junho somaram 12,3 milhões de toneladas 132% mais do que em igual período do ano passado, segundo a Secex (Secretaria de Comércio Exterior).

Se considerados os dados dos últimos 12 meses até o final de junho, a saída do cereal atingiu 36 milhões de toneladas, 75% mais do que em igual período anterior.

Esse grande volume de milho exportado trouxe para o país US$ 2,2 bilhões apenas no primeiro semestre do ano, 121% mais do que de janeiro a junho de 2015.

A liderança nas exportações do semestre ficam, no entanto, para a soja. Ao somar 38,6 milhões de toneladas no período, a oleginosa trouxe US$ 13,9 bilhões de divisas para o país.

Outros destaques entre os produtos básicos foram minério de ferro e petróleo. Devido à queda de preços, porém, as receitas dessas duas commodities são menores neste ano.

De uma forma geral, os básicos perdem participação para os industrializados neste ano na balança comercial. Em junho, os básicos somaram US$ 7,82 bilhões, representando 47% do total da balança. Em junho do ano passado, somavam 49%.

As carnes, considerando apenas o produto ªin naturaº, obtiveram US$ 5,8 bilhões de janeiro a junho, 4% mais do que em igual período anterior.

O frango liderou com US$ 3 bilhões, segundo dados da Secex.

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Para esquecer A primeira quinzena de junho foi um período para ser esquecido pelas usinas do centro-sul. As chuvas reduziram em 35% a moagem de cana-de-açúcar, em relação a igual período de 2015.

Menos açúcar Moendo menos cana, as indústrias colocaram 39% menos açúcar no mercado e 36% menos etanol no período. Os dados são da Unica (União da Industria de Cana-de-Açúcar).

Matéria-prima A chuva não prejudicou apenas a produção, mas também reduziu a qualidade da matéria-prima. O ATR (Açúcares Totais Recuperáveis) obtido em uma tonelada de cana caiu 4% na quinzena.

A bola da vez O preço do leite longa vida atingiu média de R$ 3,6476 por litro no mercado atacadista do Estado de São Paulo em junho, segundo pesquisa do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada).

Influência Ao registrar esse valor, o leite supera em 24% o preço de maio. No ano, o aumento acumulado já é de 59%. O preço do leite influencia também o de outros lácteos.

Recorde O preço de junho foi o maior da série de pesquisa do Cepea, iniciada em 2010. Os valores foram deflacionados pelo IPCA de maio último.

Oferta Entressafra e custos elevados de produção reduziram a oferta de leite, o que mantém acirrada a disputa entre os laticínios pela matéria-prima.

Produtor O preço do leite pago ao produtor subiu 5% ante o de maio e foi a R$ 1,2165 por litro nos Estados pesquisados pelo Cepea. Em relação a junho de 2015, a alta foi de 18% maior.

Menos leite A captação de leite caiu 1,6% nos sete Estados pesquisados pelo Cepea. A Bahia teve a maior queda, com redução de 7%,

Por Mauro Zafalon

Vaivém das Commodities

Mauro Zafalon é jornalista e, em duas passagens pelaFolha, soma 40 anos de jornal. Escreve sobre commodities e pecuária. Escreve de terça a sábado.

Fonte : Folha

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