Colheita de milho realizada na Fazenda Recanto, no município de Mateiros,região do Jalapão (TO)

Colheita de milho realizada na Fazenda Recanto, no município de Mateiros,região do Jalapão (TO)

recordes de milho neste ano, o país vai ao mercado externo para repor parte da demanda interna do produto.

A entrada de milho esquentou no mês passado e somou 163 mil toneladas. Com isso, o acumulado do primeiro semestre já atinge 542 mil toneladas, o maior volume no período desde 1998.

O Brasil já não estava mais acostumado a importar tanto milho. Com o início das exportações, a partir dos anos 2000, a maior liquidez na comercialização do cereal permitiu uma ampliação da produção, favorecendo o abastecimento.

No primeiro semestre do ano 2000, por exemplo, o país importou 1,0 milhão de toneladas.

A partir dos anos seguintes, as compras externas perderam ritmo, devido à maior oferta brasileira do cereal. O país passou, aliás, a ser grande exportador nos últimos anos.

No primeiro semestre deste ano, saíram pelos portos brasileiros 12,3 milhões de toneladas, 132% mais do que em igual período de 2015.

DE ONDE VEM

Argentina e Paraguai são os principais fornecedores de milho para o Brasil neste ano. Vieram da Argentina 282 mil toneladas do cereal de janeiro a junho, segundo dados da Secex (Secretaria de Comércio Exterior).

Já do Paraguai chegaram outras 261,4 mil toneladas. Tomando como base os gastos feitos pelas empresas brasileiras nesses dois países, o milho argentino chegou a US$ 169 por tonelada, acima dos US$ 150 do que veio do Paraguai.

As exportações brasileiras cresceram em ritmo tão acentuado devido à maior produção interna, que já chegou a 80 milhões de toneladas.

Além disso, países que haviam aprendido o caminho do mercado do Brasil há quatro anos, quando os norte-americanos tiveram pouco milho para exportar, retornaram.

O líder em compras do produto brasileiro, por exemplo, foi o Japão, que adquiriu 1,9 milhão de toneladas no semestre. No ano passado, os japoneses haviam comprado apenas 172 mil toneladas.

O Irã, tradicional importador, manteve o segundo posto, com compras de 1,7 milhão de toneladas.

Os países asiáticos são os mais interessados no produto brasileiro. Não só o Japão mas também o Vietnã, Taiwan, a Malásia, a Coreia do Sul e a Indonésia estiveram entre os maiores importadores.

Os vietnamitas compraram 1,6 milhão de toneladas no semestre, enquanto os taiwaneses importaram 1,1 milhão de toneladas.

A China, líder nas compras de soja do Brasil, foi apenas o 16° país na lista dos importadores, ao comprar 96 mil toneladas no semestre.

Por Mauro Zafalon

Vaivém das Commodities

Mauro Zafalon é jornalista e, em duas passagens pelaFolha, soma 40 anos de jornal. Escreve sobre commodities e pecuária. Escreve de terça a sábado.

Fonte : Folha

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