Operários na linha de produção da indústria de suco de laranja Cutrale, em Araraquara (SP)

Operários na linha de produção da indústria de suco de laranja Cutrale, em Araraquara (SP)

A queda nos estoques mundiais de suco de laranja está esquentando as exportações brasileiras.

De janeiro a maio deste ano, o Brasil exportou 515 mil toneladas de suco de laranja, 16% mais do que em igual período de 2015.

Um dos destaques nas compras do suco do Brasil tem sido a União Europeia, que já importou 351 mil toneladas nos cinco primeiros meses, 34% mais do que de janeiro a maio do ano passado.

As exportações deste ano estão aquecidas, mas o ritmo das vendas externas tem diminuído nos últimos anos, devido à queda mundial de consumo.

No ano passado, por exemplo, as exportações totais do país somaram 1,04 milhão de toneladas de suco de laranja, volume bem abaixo do de 2007, quando as vendas externas somaram 1,42 milhão de toneladas.

Ibiapaba Netto, diretor-executivo do CitrusBr (Associação Nacional dos Exportadores de Sucos Cítricos), diz que “a boa notícia tem sido mesmo a União Europeia”.

Segundo ele, esse movimento de saída de suco para a União Europeia precisa ser mais bem avaliado. Pode estar havendo um sinal de melhora no mercado, mas pode ser também uma antecipação de compras devido aos estoques mundiais baixos.

A antecipação já foi feita, aliás, pelos Estados Unidos no ano anterior, devido à quebra de safra na Flórida. Com isso, os norte-americanos importaram 29% menos suco do Brasil neste ano.

Já japoneses e chineses, a exemplo dos europeus, elevaram as compras de suco de laranja no país. As indústrias nacionais enviaram 34 mil toneladas para o Japão neste ano, 19% mais do que em igual período do ano passado, enquanto os chineses compraram 4% mais.

Os baixos estoques provocaram alta nos preços. O primeiro contrato do suco de laranja foi negociado nesta sexta-feira (24) a US$ 1,66 por libra-peso na Bolsa de commodities de Nova York.

Ao registrar esse valor, o suco supera em 37% os preços de há um ano na Bolsa.

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Plantio A área a ser semeada com milho deverá atingir 37,8 milhões de hectares nesta safra 2016/17 nos Estados Unidos. Já a de soja deverá ser de 33,5 milhões de hectares.

Consolidação A avaliação é de analistas do Banco Pine. O Usda (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) deverá consolidar os dados de área plantada na próxima quinta-feira (30).

Por Mauro Zafalon

Vaivém das Commodities

Mauro Zafalon é jornalista e, em duas passagens pelaFolha, soma 40 anos de jornal. Escreve sobre commodities e pecuária. Escreve de terça a sábado.

Fonte : Folha

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