Plantação de trigo em Sertaneja, norte do Paraná, em 03.jul.2016. (foto Mauro Zafalon/Folhapress)

Plantação de trigo em Sertaneja, norte do Paraná

As lavouras de trigo entram agora na fase mais crítica. Por ora, apesar das geadas, o clima ajudou o desenvolvimento das plantas.

O Paraná, principal produtor do país, deverá destinar 1,13 milhão de hectares para o cultivo do cereal neste ano. Nesta semana, a área semeada chega a 95% do total, com produção prevista de 3,4 milhões de toneladas, segundo Hugo Godinho, do Deral (Departamento de Economia Rural) do Paraná.

O bom desenvolvimento da cultura do trigo se torna importante no Paraná porque o Brasil é dependente externo desse produto. Neste ano, as importações deverão somar 5,4 milhões de toneladas, segundo a Conab.

Quanto maior a produtividade no Estado, menor o volume a ser importado. Queda de produção e dólar elevado fariam do trigo mais um produto a pressionar a inflação.

Os produtores paranaenses, por causa da concorrência do milho, vão reduzir de 10% a 15% a área de trigo.

Mas a boa evolução do preço do cereal, que está em R$ 45,40 por saca, e a forte redução dos preços do milho nas últimas semanas –está R$ 35,60 por saca no Estado– inibiu a queda da área nesta reta final de plantio. A produtividade maior poderá compensar, em parte, a queda de área, segundo Godinho.

Os efeitos do espaço menor dedicado ao trigo apontam para um giro financeiro também menor, o que vai afetar toda a cadeia do setor, desde a área de transporte até a de comercialização.

A Cocamar Cooperativa Agroindustrial, do norte do Paraná, por exemplo, reduziu a expectativa de recolhimento de trigo em 10%, em relação à projeção inicial.

O clima adverso será responsável também por recolhimento menor de soja –perda de 20% em relação à previsão inicial– e de milho, cuja queda será de 35%, segundo José Cícero Aderaldo, vice-presidente da cooperativa.

NOVA VARIEDADE DE FEIJÃO IMPULSIONA MERCADO

O feijão sempre fez parte da vida do pesquisador Anésio Bianchini. Nos anos 1970, consorciado com o café, a cultura era componente da lavoura do pai em Ibiporã (PR).

Mas a produção do café ficou insustentável no norte do Estado, devido às fortes geadas. E a erradicação dos cafezais trouxe novos problemas para o feijão.

O maior plantio do feijão em áreas abertas (sem o café) e a vinda da soja fizeram crescer a presença da mosca branca, que transmite um vírus para essas plantas, o mosaico dourado, com complicações maiores para o feijão.

Após 40 anos de pesquisa, o Iapar (Instituto Agronômico do Paraná) lança a cultivar IPR Celeiro de feijão carioca, que tem tolerância ao mosaico dourado.

A nova variedade dará força à produção no país no médio prazo, diz Bianchini, responsável pela pesquisa.

Sem controle químico efetivo, a doença é devastadora nas áreas de feijão afetadas. A nova variedade Celeiro, além de tolerante ao mosaico, atende às qualidades do feijão requeridas pelos consumidores brasileiros.

O IPR Celeiro deverá chegar na próxima safra para os multiplicadores de sementes, mas o Iapar já desenvolve outras variedades, prevendo eventual mutação do vírus. Um dos objetivos também é a obtenção de uma variedade precoce, que antecipa a colheita em até 70 dias.

O Celeiro poderá devolver uma área de plantio de até 500 mil hectares no médio prazo à leguminosa, principalmente nos períodos quentes, quando há ataque maior da mosca branca.

Boa para o produtor, que terá produtividade e custos menores, a nova variedade poderá dar maior estabilidade ao mercado.

Arroz A Fedearroz (Federação das Associações de Arrozeiros do Rio Grande do Sul) contesta dados da Abiarroz (associação das indústrias) publicadosnesta coluna na sexta-feira (1º).

Elevação A alta de 45% dos preços pagos aos produtores, em relação aos de há um ano, tem origem na queda no valor do produto na safra do ano passado, quando a saca chegou a
R$ 30 em algumas regiões do Estado do Rio Grande do Sul, afirma a federação.
Equilíbrio? Na avaliação da Fedearroz, o momento do mercado evidencia equilíbrio entre oferta e demanda. A disponibilidade de produto em casca está menos facilitada a compradores menos tradicionais.

Importações A criação de facilidades para importar resulta em danos à saúde da população e menor abastecimento em 2017. Alguns países têm custos de produção menores, mas usam agroquímicos proibidos no Brasil, diz a Fedearroz.

Milho A produção nacional de milho será de 75,6 milhões de toneladas na safra 2015/16, segundo estimativas desta segunda-feira (4) da consultoria Horizon, de Uberlândia (MG). Na safra anterior, foi de 80,8 milhões de toneladas.

Verão A produção da safra de verão, prejudicada por excesso de chuva, fica em 27 milhões de toneladas. Já a safra de inverno deverá atingir 48,6 milhões de toneladas, na avaliação da consultoria.

Soja A safra brasileira de 2015/16 será de 97,7 milhões de toneladas, conforme estimativas divulgadas nesta segunda pela consultoria Céleres, de Uberlândia. Esse volume fica praticamente estável em relação ao da safra 2014/15.

Frango As exportações até junho somam 2,3 milhões de toneladas, 14% mais em relação a igual período de 2015. O volume financeiro foi de US$ 3,4 bilhões, 1% menos, segundo a ABPA (associação do setor).

Por Mauro Zafalon

Vaivém das Commodities

Mauro Zafalon é jornalista e, em duas passagens pelaFolha, soma 40 anos de jornal. Escreve sobre commodities e pecuária. Escreve de terça a sábado.

Fonte : Folha

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