Colheita do final da safra de soja na fazenda Morro Azu, do grupo A. Maggi, no Mato Grosso

Colheita do final da safra de soja na fazenda Morro Azu, do grupo A. Maggi, no Mato Grosso

Em um ano de forte adversidade climática, período em que a produtividade de soja do país ficou abaixo de 50 sacas por hectare, o produtor João Carlos da Cruz, do município de Buri (SP), obteve 120 sacas.

O resultado foi obtido em um desafio de produtividade máxima do Cesb (Comitê Estratégico Soja Brasil), do qual participaram 4.400 produtores de todo o país.

É um resultado fora do normal para os dias de hoje, mas está incluído na missão do Cesb, que quer ser referência em produtividade de soja em todo o país, segundo Nery Ribas, presidente do comitê.

Há dez anos estagnada em um volume próximo de 3.000 quilos por hectare por safra, a produtividade de soja poderá subir 10% até 2020. Esta é, pelo menos, a meta do comitê.

Os dados atuais apontam que o país, enquanto avança em área plantada, mantém sem evolução a produtividade da oleaginosa.

Se os produtores conseguissem elevar a produção média nacional para 55 sacas por hectare –ante a média de 50 sacas atuais–, o país produziria 10 milhões de toneladas a mais nos 33 milhões de hectares semeados atualmente.

Esse aumento de produtividade resultaria em um volume financeiro de R$ 10 bilhões a mais no bolso dos produtores, conforme cálculos de José Cícero Aderaldo, vice-presidente da Cocamar Cooperativa Agroindustrial, do Paraná.

Elevar a produtividade é muito bom e necessário para o produtor, principalmente para os períodos de preços baixos da oleaginosa.

Marcos da Rosa, presidente da Aprosoja Brasil (Associação Brasileira dos Produtores de Soja) adverte, no entanto, “que os custos de produção não podem vir atrás desse aumento de produtividade”.

Se vier, o produtor não terá benefícios nessa obtenção de maior produção.

Rosa julga, também, que o aumento de produtividade deverá vir, em boa parte, dos conhecimentos tecnológicos brasileiros.

“Não podemos mais ser o índio levando o pau-brasil para os navios portugueses.”

Ou seja, o país deverá achar uma maneira de reter mais seus pesquisadores, em especial nas redes públicas.

A pesquisa está cada vez mais nas mãos das multinacionais. “Elas são parceiras, mas estão ficando com a nossa inteligência”, diz ele.

Para Ribas, a busca de um aumento da produtividade idealizado pelo Cesb é uma provocação nos produtores. Mas esse avanço de maior produção por hectare não vem de um ano para outro.

Ele sucede a um manejo integrado adequado por vários anos.

Cuidados com solo e inovação tecnológica também são essenciais nesse caminho, segundo Ribas.

Alguns produtores vêm obtendo aumento de produtividade acompanhando, ano a ano, o desenvolvimento do solo e buscando melhores variedades.

A meta do comitê para a safra 2016/17 é atingir pelo menos 143 sacas por hectare, superando o recorde de 142 sacas da safra 2014/15.

No concurso de produtividade desta safra, a 2015/16, os dez primeiros lugares do desafio do Cesb obtiveram uma média de produção de 109 sacas por hectare.

Já a média dos 4.400 produtores participantes desse concurso fica em 79 sacas, bem acima da nacional, que foi de 49 sacas.

O jornalista viajou a Maringá (PR) a convite do Cesb

Por Mauro Zafalon

Vaivém das Commodities

Mauro Zafalon é jornalista e, em duas passagens pelaFolha, soma 40 anos de jornal. Escreve sobre commodities e pecuária. Escreve de terça a sábado.

Fonte : Folha

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