Investimento é uma das fontes mais importantes de financiamento agropecuário. Saídas de recursos têm aumentado desde 2014, prejudicando Plano Safra

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Os saques da poupança rural, uma das mais importantes fontes de financiamento do setor agropecuário, não param de crescer. Em abril, as retiradas superaram os depósitos, deixando um saldo negativo de R$ 1,941 bilhão. O resultado, divulgado nesta quinta-feira, dia 5, pelo Banco Central, é o pior para o mês e o segundo maior prejuízo da série, iniciada em 1995. Desde 2014, a saída da poupança rural tem ocorrido de forma sistemática, tornando cada vez mais complexa a formulação de um Plano Safra que permita um financiamento adequado para o setor produtivo.

Os dados do BC mostram ainda que, no mês passado, enquanto os investidores da poupança rural aplicaram R$ 29,075 bilhões, as retiradas totais somaram R$ 31,016 bilhões. Com isso, o patrimônio da caderneta ficou em R$ 146,482 bilhões, redução de 0,46% frente a março. Esse resultado já conta com o rendimento creditado de R$ 940,4 mil no mês passado. No acumulado do ano, o quadro não é diferente. Até abril, o saldo está no vermelho em R$ 4,550 bilhões e, em 21 anos, só perde para o primeiro quadrimestre do ano passado, quando os saques líquidos chegaram a R$ 5,328 bilhões.

A contínua e acentuada deterioração da caderneta se dá por causa da piora do cenário econômico, com a alta da inflação e o aumento do desemprego. Além disso, outros investimentos se tornaram mais atrativos, ao apresentarem rentabilidade maior. A remuneração da poupança é formada por uma taxa fixa de 0,5% ao mês mais a Taxa Referencial (TR) – este cálculo vale para quando a taxa básica de juros (Selic) está acima de 8,5% ao ano. Atualmente, está em 14,25% ao ano.

Crédito

O recuo na caderneta de poupança ocorre em meio ao lançamento de um Plano Safra controverso, e que sofreu críticas por não ter tido participação do setor produtivo em sua elaboração. Também foi alvo de questionamento e acusado de ser lançado às pressas como parte da estratégia do Palácio do Planalto de gerar fatos que permitam ao governo fazer a defesa do mandato da Dilma Rousseff. A gestão da presidente está sob risco de ser suspensa por pelo menos 180 dias na próxima semana, caso o Senado aprove a admissibilidade do impeachment.

A proposta deste Plano Safra, anunciada na quarta-feira, dia 4, pela presidente Dilma Rousseff e pela ministra Kátia Abreu, prevê a disponibilidade de R$ 143,75 bilhões em financiamentos a juros controlados. Pelo menos R$ 10 bilhões deste total podem vir de Letras de Crédito do Agronegócio (LCA), caso uma mudança na regra desse produto seja aprovada e os bancos consigam emitir papéis conforme as expectativas do governo. Até o momento, o Conselho Monetário Nacional (CMN) não se reuniu para aprovar as medidas que foram anunciadas ontem e, para que elas possam valer, dependem da autorização do conselho que é formado pelos ministros da Fazenda (Nelson Barbosa), Planejamento (Valdir Simão) e Banco Central (Alexandre Tombini).

Na safra atual, o ritmo de contratações usando essas letras como funding ficou aquém das projeções iniciais. O custo desse plano também aumentou, tanto para os produtores quanto para os contribuintes. Os subsídios a serem desembolsados pelo Tesouro Nacional subiram em R$ 1 bilhão, para R$ 6,2 bilhões, como antecipou o Broadcast Agro, serviço de notícias em tempo real da Agência Estado. Mesmo com esse aumento dos gastos para bancar o Plano Safra, a taxa para os produtores subiu em média 0,75 ponto porcentual em todas as linhas. Para integrantes do governo, no entanto, esse custo pode cair.

Diante da expectativa do mercado de que a taxa básica de juros da economia (Selic) recue mais à frente, a necessidade de equalização de juros nessas operações também pode diminuir. Uma fonte, no entanto, observa que essa expectativa de queda no custo do Plano Safra é “exercício de futurologia” e ainda é cedo para definir qualquer cenário, sobretudo diante da possível troca de governo nas próximas semanas.

Economia

Fonte:Canal Rural

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