Indicador de preços da pluma subiu 10% em abril, com a baixa disponibilidade do produto no mercado interno; medidas anunciadas pelo Plano Agrícola devem auxiliar produtores do setor

São Paulo – A safra brasileira de algodão tem registrado números menores impactada pela redução de área e prejuízos climáticos. Por outro lado, a dificuldade de encontrar plumas de qualidade sustenta um movimento de alta nos preços. Com um dólar mais baixo, o produtor tem a chance de baixar os custos de 2016/2017 sem desgastar seu faturamento.

Em abril, o Indicador Cepea/Esalq com pagamento em 8 dias, posto em São Paulo, subiu 9,66%, a R$ 2,6796 por libra-peso no dia 29. Na primeira semana de maio, o índice já ultrapassou R$ 2,6934 por libra-peso.

A princípio, os custos variáveis da próxima temporada no Mato Grosso estão estimados em R$ 8,65 mil por hectare, 13,2% acima dos praticados na safra atual. Para os especialistas do Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea), neste momento, o enfraquecimento do dólar se mostra favorável para a redução das despesas na lavoura e, como os indicadores estão numa crescente, há menor impacto negativo sobre as receitas.

“A pluma tem suas justificativas para a elevação: a baixa disponibilidade de algodão; o bom desempenho das exportações; e uma maior demanda externa esperada para a próxima safra”, avalia o instituto.

O Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) acrescenta que com a menor oferta doméstica de pluma de qualidade, compradores têm sido mais flexíveis e adquirem vários lotes de pluma a preços maiores. Do lado vendedor, produtores, comerciantes e/ou tradings que ainda detêm a pluma para negociar estão mais firmes nos valores de venda.

Apesar de um cenário aparentemente positivo, sérios entraves estão na composição das estimativas para a cultura. “Temos uma situação preocupante em relação ao futuro. A Bahia teve uma quebra de pelo menos 30% em relação à produtividade esperada. A próxima safra vai depender muito dos resultados da que está no campo, mas é inevitável não prever uma nova redução de área”, comenta o consultor de negócios de algodão da INTL FCStone, Eder Silveira.

O último levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) aponta uma retração de 5,3% na produção da pluma na safra 2015/ 2016, para 1,48 milhão de toneladas. No Nordeste, a estiagem derrubou as expectativas oficiais em 20%, quando comparadas ao desempenho do ciclo anterior. O resultado da região sofreu ampla pressão da quebra na Bahia, segundo maior produtor do País.

Silveira não descarta a possibilidade de migração dos cotonicultores para culturas mais seguras e até mais rentáveis, como a soja e o milho, que também seguem em ascensão nas cotações internacionais.

Lá fora, as altas são justificadas, sobretudo, pela movimentação de especuladores na Bolsa de Chicago, que têm realizado movimento de direcionamento de capital às commodities, resultando em altas sem fortes justificativas. Vale lembrar que os agricultores dos Estados Unidos acabam de dar a largada no plantio da pluma e, segundo o departamento de Agricultura do país (USDA), o cultivo de algodão deve abranger 3,90 milhões de hectares, dos quais, 10% já foram semeados.

Política Agrícola

No dia da divulgação do Plano Safra 2016/ 2017, na semana passada, o presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), João Carlos Jacobsen, foi uma das poucas lideranças do setor agrícola presentes. Para ele, as medidas estão de acordo com as expectativas e objetivos dos cotonicultores. Por meio dos Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs), haverá “entrada de investimentos internacionais com custo mais baratos. Isso será muito positivo para a cotonicultura brasileira”, diz.

Nayara Figueiredo

Fonte : DCI

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