Crescimento dos preços das commodities anima agricultores para realizar investimentos

Crescimento dos preços das commodities anima agricultores para realizar investimentos

Luiz Eduardo Kochhann

Com a safra atual se encaminhando para o final, os agricultores começam a planejar o próximo plantio. De acordo com a Emater, até o fim da semana passada, a colheita estava completa em 90% da área semeada no ciclo de verão no Rio Grande do Sul, principalmente a soja e o milho. Enquanto isso, a estimativa é de que 35% de todo o fertilizante a ser utilizado no calendário de 2016/2017 no Mato Grosso, estado referência, havia sido comercializado até o término de março. A antecipação da compra dos insumos é vista com bons olhos por especialistas dada as condições atuais.

Entre as vantagens, está a entrega dos produtos adquiridos, umas vez que, estrategicamente, é comum aproveitar o frete de envio da soja para retornar com insumos, diluindo gastos logísticos. Nessa frente, o custo do frete marítimo, explica o analista Carlos Cogo, enfrenta a maior desaceleração desde meados da década de 1980 devido à desvalorização do petróleo e a menor demanda mundial. “Optar por comprar no segundo semestre poderá esbarrar em problemas no encarecimento desse frete”, alerta. Além disso, os preços dos fertilizantes a base de fosfato, potássio e nitrogênio caíram mais de 30% nos últimos meses após a redução da demanda sazonal, o que elevou os estoques mundiais.

A volatilidade do dólar é outro fator que exige planejamento minucioso do agricultor, especialmente pela diferença na cotação entre os momentos de compra de insumos e venda de produtos. A procura maior por insumos, observada nos últimos 30 dias, é explicada justamente pela variação do real abaixo de US$ 4, patamar que norteava os negócios no segundo semestre do ano passado. O produtor, consequentemente, está pagando uma proporção menor de sacas de milho e soja para cada tonelada de fertilizante. “Enquanto, nessa mesma época do ano passado, dispendiam 22 sacas de soja por tonelada de fertilizante, atualmente, entregam entre 18 e 20 sacas pela mesma quantidade de adubo”, completa Cogo.

A liberação dos recursos de pré-custeio ajuda a acelerar o movimento. O Banco do Brasil (BB) atingiu, na semana passada, a marca de R$ 3,4 bilhões em desembolsos dessa categoria para a safra 2016/2017. Do total dos recursos, que são utilizados para a aquisição antecipada de insumos, R$ 668,5 milhões foram acessados pelo segmento de Médios Produtores Rurais (Pronamp). Os R$ 2,74 bilhões foram destinados aos demais agricultores. O montante representa um crescimento de 26,3% em relação ao mesmo período do ano passado. A expectativa é realizar toda a programação de R$ 10 bilhões previstos para o custeio antecipado, disponibilizados pelo governo federal por meio da instituição.

No Rio Grande do Sul, desde o dia 1 de fevereiro até 20 de abril deste ano, R$ 450 milhões foram acessados por produtores no BB. Além disso, outros R$ 187 milhões em propostas estavam em análise até a última data. De acordo com o banco estatal, o volume de contratações deve aumentar ainda mais em maio e junho, podendo chegar aos R$ 2 bilhões. No que se refere ao total da safra 2015/2016, levando em conta custeio, investimento e comercialização, já foram investidos R$ 7,4 bilhões no Estado. No Brasil, as operações agropecuárias, desde o início da safra que está sendo finalizada agora, chegam a R$ 44,8 bilhões na instituição.

Embora sempre haja incerteza em relação ao câmbio, os indicativos de crescimento dos preços das commodities podem animar tal quadro de investimentos. O consultor Farias Toigo aponta tendência de alta nas cotações da bolsa de Chicago durante 2016. Mais adiante, as vendas futuras para maio de 2017 seguem no mesmo ritmo, sendo cotadas, atualmente, entre R$ 83,00 e R$ 86,00. A principal explicação é a redução da oferta global, com perdas entre 10 e 15 milhões de toneladas na América Latina e a forte demanda chinesa. “Teoricamente, são bons preços para travar pelo menos os custos de produção, mas a ocorrência de La Niña no segundo semestre, entre outros fatores, pode elevá-los ainda mais”, pondera.

ANDRÉ NETTO/ARQUIVO/JC

Fonte : Jornal do Comércio

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