Atualmente se produz cerca de 20 sacas por hectare. Mas experimentos mostram ser possível duas ou três vezes mais segundo Lair Hanzen, fabricante de fertilizantes no Brasil

Brasil pode atender a crescente demanda global pela bebida Brasil pode atender a crescente demanda global pela bebida
Foto: Divulgação

Atibaia – Para atender a crescente demanda mundial de alimentos, em especial pelo café, o Brasil deve investir cada vez mais em produtividade. Desta forma, será possível elevar a produção de maneira sustentável.

A avaliação é do vice-presidente global e presidente para o Brasil da Yara Fertilizantes, Lair Hanzen.

“O papel que a gente quer mostrar é que temos que buscar esse crescimento com produtividade, e não com aumento de área. A gente protege o meio ambiente, derrubando menos árvores, e melhora a rentabilidade do produtor”, disse ontem o executivo ao DCI, durante a 1ª Conferência Mundial de Café da Yara, em Atibaia, no interior paulista.

Ele afirma que, com a projeção de consumo de 185 milhões de sacas de 60 quilos cada em 2025 – 35 milhões a mais do que o consumo atual -, o País pode aumentar em até três vezes a sua produção na área já existente. “A produtividade média do café no Brasil é de 20 sacas por hectare. Nós temos experimentos onde há níveis duas, ou três vezes maiores do que isso. Então, podemos preencher essa lacuna somente com a melhor de produtividade”, destacou.

A preocupação do mercado mundial com a produção brasileira acontece por conta dos de 30% market share na produção mundial, com 43,24 milhões de sacas em 2015.

Segundo o executivo, a elevação do consumo global do café é resultado do aumento em países não tradicionais, como a China e Coreia do Sul, que na última década atingiram uma taxa média de crescimento de 6,5% ao ano.

Os principais aspectos para isso, analisa Hanzen, são o crescimento expressivo e transformações nos emergentes, com aumento da urbanização dos rendimentos per capita. “Nesses países, o consumo per capita ainda é baixo. Na China, ele corresponde a 83 gramas por habitante, enquanto no Japão ele corresponde a 3,5 quilos por pessoa. Temos ainda um grande espaço para crescimento e muito para avançar e sonhar com o consumo mundial da Finlândia, que é de 12 quilos por pessoa”, pontuou.

Nos países tradicionais, o crescimento médio do consumo bate os 2%, mas chega aos expressivos 10% quando o assunto é o café especial. “As novas tendências de consumo dos cafés especiais revigoram o crescimento, gerando novas oportunidades de diferenciação. Cada vez mais, na visão dos consumidores, o café passou de bebida básica para uma bebida relacionada ao estilo de vida”, disse Hanzen. Segundo dados do setor, fenômenos climáticos nas principais regiões de manufatura provocaram perdas superiores a 2% na produção mundial.

Fertilizantes

Se o Brasil detém um terço do mercado mundial do café, por outro lado é importador de fertilizantes. O País produz apenas 2% da matéria prima global. Com a dependência da importação do produto, os cafeicultores acabam reféns da oscilação do dólar, o que pode adiar a compra do insumo.

Para diminuir essa necessidade de importação, a Yara, que concentra 25% na divisão do mercado nacional e é a principal empresa de fertilizantes no Brasil, está investindo US$ 500 milhões em um projeto de mineração de rocha fosfática (um dos principais insumos para a produção de adubo) em Serra do Salitre (MG). “A área de fosfatado é onde o Brasil tem as maiores possibilidades de reduzir um pouco essa dependência de produtos importados”, concluiu o presidente da Yara.

Fernando Barbosa

Fonte : DCI

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