Bonita, saborosa e rica em nutrientes, a pitaya, ou fruta dragão, como é conhecida por suas características exóticas, tem conquistado espaço em propriedades rurais do sul do país. E o melhor: espaços que antes eram utilizados para o cultivo de tabaco. Os irmãos Volnei, 51 anos e Valmirei Feltrin 49 anos, do município de Turvo (SC), foram os primeiros agricultores familiares da região a investirem no fruto, com o objetivo de diversificar a produção de tabaco – que foi herdada do pai. “Foi uma ótima troca. Hoje trabalhamos com mais saúde e ganhamos quase cinco vezes mais que com o fumo”, compara Volnei.

A ideia de substituir o cultivo de fumo surgiu em 2010 quando os irmãos viram a fruta de origem asiática, pela primeira vez, em um programa de televisão. “Era uma reportagem. Depois disso pesquisamos e achamos que ela poderia ser produzida aqui”, lembra o irmão mais velho.

A intuição dos irmãos foi reafirmada, em seguida, por extensionistas da Cooperativa dos Engenheiros Agrônomos e de Profissionais em Desenvolvimento Rural e Ambiental de Santa Catarina (Uneagro), que atua como parceira do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) no Programa Nacional de Diversificação em Áreas Cultivadas com Tabaco.

“Pesquisamos a cultura para verificar se, de fato, ela teria potencial regional e chegamos a uma conclusão positiva”, conta o extensionista da Uneagro Edson Benides, que destaca ainda o empreendedorismo dos irmãos. “Alguns engenheiros cultivavam a pitaya aqui no sul, para fins de estudo, mas os Feltrin foram os primeiros a comercializar e difundir a fruta na região”.

Os agricultores do Sul catarinense apostaram no plantio de cinco variadades: a vermelha de polpa branca e de polpa roxa; a pink; a baby; a do cerrado; e a pitaya amarela.  Volnei conta que para colocar a ideia em prática eles recorreram a outras políticas públicas do MDA como o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf).

“Foi muito importante naquele começo, porque conseguimos estruturar a produção. Com isso, o fumo foi desaparecendo da lavoura ano após ano e em 2016 já não temos nenhuma planta de tabaco na propriedade”.

Com mais qualidade de vida, saúde e renda na atividade no campo Volnei faz planos com seu irmão de diversificar ainda mais a produção. “Tivemos bastante sucesso com a pitaya, cultivamos, comercializamos mudas, e até já fundamos uma associação. Agora temos novas ideias e recentemente compramos algumas mudas de atemoia, que é uma mistura da fruta do conde com a cherimoia. Tão diferente, gostosa e nutritiva como a pitaya”.

Alternativa ao tabaco

O engenheiro agrônomo Edson Benides, que acompanha o trabalho dos irmãos Volnei e Valmirei, explica que a pitaya é uma boa alternativa à cultura do tabaco por ser uma fruta que dispensa a utilização de agrotóxicos. “O uso de agroquímicos não é necessário, aliás pode até mudar o sabor da fruta”, alerta ao salientar que a pitaya é um alimento funcional, rica em fibras, indicado para a prevenção e tratamento de doenças.

Programa Nacional de Diversificação em Áreas Cultivadas com Tabaco

Para ajudar na transição das culturas, os irmãos Feltrin buscaram apoio no Programa Nacional de Diversificação em Áreas Cultivadas com Tabaco.  O programa, coordenado pelo MDA, apoia projetos de extensão rural, formação e pesquisa para diversificação produtiva em propriedades da agricultura familiar que produzem fumo, além de criar novas oportunidades de geração de renda e qualidade de vida às famílias.

2ª Cnater

E, para nortear as futuras ações de Assistência Técnica e Extensão Rural (Ater), para o desenvolvimento da agricultura familiar brasileira, o tema será debatido na 2ª Cnater – Conferência Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural. 

A expectativa é que cerca de mil pessoas participem dos debates, oficinas, atividades culturais, e visitem a Feira da Agricultura Familiar, com produtores do Distrito Federal.

A etapa nacional será realizada em Brasília, de 31 de maio a 3 de junho, no Centro de Convenções Ulysses Guimarães.

Ranyelle Andrade

Ascom/MDA

Fonte : MDA

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