A Bayer, multinacional alemã de € 79 bilhões que atua nos setores químico e farmacêutico, estuda a viabilidade de apresentar uma oferta para adquirir a americana Monsanto por mais de US$ 40 bilhões. Se confirmada, será mais uma fusão de peso a marcar o processo de consolidação do mercado global de defensivos agrícolas e sementes.

A Bayer e seus assessores financeiros estudam há semanas como estruturar a combinação das duas empresas. Se uma oferta pela companhia com sede em Saint Louis for de fato apresentada, chegaria quase um ano depois de a própria Monsanto ter tentado, sem sucesso, comprar outra rival, a suíça Syngenta.

Fontes envolvidas no processo disseram que, embora esteja estudando a oferta pela Monsanto, a Bayer teme que uma combinação de tal porte possa enfrentar vários obstáculos, inclusive de autoridades antitruste. Não ficou claro se as partes já negociaram diretamente, mas uma possível oferta viria num momento em que o segmento testemunha uma sucessão de grandes fusões e aquisições, como a união entre Dow e DuPont, de US$ 130 bilhões, anunciada em dezembro.

A rápida sequência de acordos foi desencadeada pela tentativa malsucedida de compra da Syngenta pela Monsanto, em agosto. O escocês Hugh Grant, CEO da Monsanto desde 2003, havia argumentado que a empresa americana precisava reduzir sua dependência dos organismos geneticamente modificados e passar a oferecer linhas mais integradas aos agricultores, que incluíssem produtos químicos fundamentais para a agricultura.

Foi essa lógica que esteve por trás das três tentativas de compra da Syngenta pela Monsanto desde 2011 – todas sem sucesso, que acabaram levando a empresa suíça a acertar sua venda, por US$ 44 bilhões, para a ChemChina. Essa transação, somada à fusão entre Dow e DuPont, deixou a Monsanto exposta e levou a Bayer e sua rival alemã Basf a avaliarem diferentes cenários para suas unidades de agronegócios.

A Bayer contratou apenas recentemente um novo CEO: Werner Baumann, veterano, com 28 anos na empresa e ex-chefe de estratégia, substituiu Marijn Dekkers no comando no fim de abril. Dekkers foi para a Unilever substituir Michael Treschow como presidente do conselho de administração. Com Dekkers, que liderou a Bayer por seis anos, a Bayer se tornou um grupo mais voltado às ciências da vida.

Em 2015, a alemã abriu o capital da Covestro, sua unidade de plásticos, na maior oferta pública inicial de ações da Alemanha em anos. Após o IPO, a Bayer ficou com quatro divisões: farmacêutica, bens de consumo para cuidados com a saúde, saúde animal e ciências agrícolas.

A transação com a Monsanto permitiria à Bayer complementar sua linha de agroquímicos com a de sementes e defensivos da americana. Procuradas, as empresas não deram entrevista. (Tradução de Sabino Ahumada)

Por Arash Massoudi e Guy Chazan | Financial Times, de Berlim e Londres

Fonte : Valor

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