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    Se as projeções feitas até o momento se confirmarem, a redução na área plantada com trigo na próxima safra de inverno poderá chegar a 14% no Paraná e a até 20% no Rio Grande do Sul. O dado preocupa porque são os maiores produtores nacionais no ciclo passado, responderam por 90% do total colhido no país.
    Na prática, esse encolhimento se reflete na matemática da importação a ser feita para atender à demanda do mercado interno, porque o Brasil não é autossuficiente na produção do cereal.
    O consumo médio gira em torno de 11,5 milhões de toneladas por ano, e a produção, entre 5,5 milhões e 6 milhões de toneladas.
    – Se essa diminuição se confirmar, ficaremos ainda mais dependentes do trigo importado. Poderíamos ser autossuficientes, mas falta uma política pública definida – avalia Claudio Dóro, gerente-adjunto da regional da Emater de Passo Fundo.
    Nesta semana, a entidade deverá apresentar a primeira intenção de plantio para a safra de inverno.
    Nem mesmo o reajuste de 10,5%, concedido para o preço mínimo do trigo tipo 1 classe pão, serve como estímulo.
    O mercado com pouca liquidez e os custos em alta são fatores que desestimulam a produção. No cenário internacional, as perspectivas também não são nada promissoras – o preço é considerado muito baixo há algum tempo.
    No caso do Rio Grande do Sul, há ainda o complicador da lembrança negativa das duas últimas safras, quando houve perda significativa não só de volume, mas também de qualidade.
    – O produtor está se sentindo muito desestimulado. A única perspectiva positiva, neste momento, é a do clima, que estará sob efeito do La Niña – lamenta Hamilton Jardim, presidente da Comissão de Trigo da Federação da Agricultura do Estado (Farsul).
    Para o dirigente, a área cultivada com o trigo no Rio Grande do Sul deverá ficar entre 800 mil e 850 mil hectares – no ano passado, foi de 874 mil hectares. O plantio começa a partir da segunda quinzena do mês, no Noroeste. Só então, com as máquinas em campo, será possível ter certeza de como será o comportamento do produtor.

  • MERCADO AO PONTO

    O crescimento da economia chinesa pode até ter desacelerado, mas o país asiático continua sendo um cobiçado mercado, porque tem apetite sempre acima da casa do bilhão. É por isso que representantes de entidades brasileiras do setor de carne centram forças, a partir desta semana, em ações a serem desenvolvidas no Salão Internacional de Alimentação (Sial). A feira, uma das mais importantes do segmento, será realizada em Xangai, de quinta a sábado.
    A Associação Brasileira de Angus (ABA), em parceria com a Apex-Brasil e a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec), repetirá a dose de outros eventos internacionais e fará uma edição do Brazilian Angus Day na sexta-feira. A proposta é dar aos visitantes um gostinho da carne de qualidade produzida pelos brasileiros.
    – Tudo no mercado chinês é superlativo. Abrir as vendas para este país representa muito – pondera Fabio Medeiros, gerente do Programa Carne Angus Certificada.
    Depois de manter um arrastado embargo à carne bovina brasileira, por conta de um caso atípico de encefalopatia espongiforme bovina (popularmente conhecida como mal da vaca louca) comunicado pelo Brasil em 2012, a China retomou as compras do produto brasileiro em junho do ano passado. De lá para cá, a receita com os embarques de carne bovina soma mais de US$ 626 milhões.
    – A expectativa é que os embarques para o mercado chinês alcancem entre US$ 800 milhões e US$ 1 bilhão este ano – diz Antônio Jorge Camardelli, presidente da Abiec.
    Ao todo, 14 empresas associadas da entidade participam do salão.

  • PÚBLICO MENOR, MAIS NEGÓCIOS

    Apesar de toda a incerteza econômica, a Agrishow chegou ao fim com volume de negócios um pouco acima do registrado na edição anterior. Foi uma surpresa até mesmo para os organizadores, que trabalhavam com a perspectiva de repetir os resultados.
    As propostas neste ano somaram R$ 1,95 bilhão, ante R$ 1,9 bilhão de 2015.
    – Achávamos que ia ser fraco, mas na última hora houve uma reversão.
    Foi muito acima do esperado – afirmou Maurílio Biagi, presidente de honra da feira, sobre o resultado.
    E isso que o público encolheu 5%, ficando em 152 mil visitantes. Ou seja, quem foi para o parque não perdeu tempo e aproveitou para fechar ou pelo menos encaminhar a compra de máquinas e equipamentos. Agora, a expectativa se volta ao Plano Safra, que será anunciado na quarta-feira.

  • NO RADAR

    MANTIDO PARA o dia 31 de maio no Estado, o Grito da Terra nacional, programado para 17 a 19 de maio, foi suspenso. A decisão foi tomada pela Confederação Nacional da Agricultura, em consulta feita federações. Nova avaliação será feita no dia 7 de junho.

  • COM AS EXPORTAÇÕES IGUALMENTE IMPULSIONADAS PELAS COMPRAS CHINESAS, AS INDÚSTRIAS DE AVES E DE SUÍNOS TAMBÉM MARCAM PRESENÇA NO SALÃO INTERNACIONAL DE ALIMENTAÇÃO. A ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE PROTEÍNA ANIMAL (ABPA) LEVARÁ 13 EMPRESAS QUATRO DAS QUAIS COM SEDE OU PLANTAS NO RIO GRANDE DO SUL (ADELLE, ALIBEM, JBS E VIBRA). JBS E ALIBEM JÁ ESTÃO HABILITADAS A VENDER AO MERCADO CHINÊS.

  • SACAS DA SOLIDARIEDADE

    Maior produtor de soja do Rio Grande do Sul, o município de Tupanciretã, na Região Central, tem nas lavouras uma outra lição a ser aprendida: a da solidariedade. A Liga de Combate ao Câncer da cidade conta com a ajuda dos produtores para prestar auxílio financeiro a pacientes.
    Como conta a presidente da entidade, Fátima Marilusa de Souza Savian, há mais de 10 anos as voluntárias visitam um grupo de cerca de 40 agricultores, que contribuem – em dinheiro, mas também com sacas de soja. A renda do produto financia ações como compra de medicamentos, vale-transporte e vale-rancho. Atualmente, 80 pacientes são beneficiados.

  • Fonte :Zero Hora

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