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    Foi com a casa cheia que o governo federal anunciou ontem o Plano Safra da agricultura familiar. Para a plateia, movimentos sociais e entidades que se mantêm como um dos redutos de apoio à presidente Dilma Rousseff, o discurso agradou. O pacote atendeu às demandas dos pequenos produtores inclusive a diminuição de juro, na contramão do restante da economia.
    O volume de recursos foi ampliado para R$ 30 bilhões. A taxa cobrada nas linhas de financiamentos voltadas à produção de alimentos que compõem a cesta básica, no modelo orgânico e agroecológico e para investimentos em práticas sustentáveis foram reduzidas dos atuais 5,5% para 2,5%.
    Outras medidas, como dinheiro para o programa de aquisição de alimentos e a implementação, enfim, da Agência Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural (Anater), com direito a orçamento e diretoria composta, também entraram no pacote.
    As regras de financiamentos são política de Estado e, por isso, em tese, perenes. Mas algumas metas, classificadas pelo ministro do Desenvolvimento Agrário (MDA), Patrus Ananias, como ousadas, poderão ficar pelo caminho.
    Com o eventual afastamento da presidente, nem mesmo a permanência da pasta está garantida. Pelo contrário. Ganham força os rumores de que o MDA será extinto. Ananias, que deixou a pasta temporariamente para votar contra o impedimento de Dilma na Câmara, aproveitou o momento do anúncio para criticar a situação política vivida pelo país:
    – Há uma tentativa de golpe contra as políticas públicas sociais implementadas nos últimos anos.
    Por diversas vezes, o anúncio foi interrompido por palavras de ordem como “não vai ter golpe” e manifestações de apoio.
    – Os camponeses têm um lado, e esse lado é o da democracia. Impeachment sem crime é golpe – bradou Anderson Amaro, da coordenação do Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA).
    Justamente pelo delicado momento político vivido no país é que os rumos da agricultura familiar poderão ficar diferentes dos planos apresentados. Até porque, jogou-se muito para agradar a torcida.

  • NO RADAR

    A assembleia-geral de credores para avaliação do plano de recuperação da Camera foi suspensa para o dia 12 de julho. Marcada para ontem, teve quórum, mas foi suspensa, a pedido de 97,03% dos créditos presentes para que os credores reexaminem os aditivos do plano de recuperação, explica o administrador judicial Genil Andreatta.

  • JUSTIFICATIVA ÀS DEMISSÕES

    A não renovação de contrato de prestação de serviços, a conjuntura econômica e social e até as ações de órgãos de fiscalização foram as razões apontadas pela Companhia Minuano de Alimentos para a suspensão das atividades no frigorífico de Passo Fundo.
    “Vale lembrar ainda as leis e regulamentos utópicos e descontextualizados, os quais retiram completamente o poder de concorrência das atividades industriais desenvolvidas no Brasil se comparadas àquelas desenvolvidas fora do país”, acrescentou a empresa, em nota.
    A paralisação da produção e processamento levou à demissão, na segunda-feira, de 300 funcionários que trabalhavam na planta. Apenas 20 trabalhadores dos setores de manutenção, recursos humanos e limpeza tiveram os cargos mantidos.

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    O SETOR COMEMOROU A PRORROGAÇÃO, POR DOIS ANOS, DO PRAZO PARA A ENTRADA EM VIGOR DOS NOVOS LIMITES DA CONTAGEM DE BACTÉRIAS E DE CÉLULAS SOMÁTICAS DO LEITE.

  • PRAZO CONTADO

    Ficou só na expectativa a prorrogação do prazo para preenchimento do Cadastro Ambiental Rural (CAR). Representantes do setor tinham a esperança de que a presidente Dilma Rousseff aproveitasse o Plano Safra para fazer o anúncio.
    Balanço de ontem da Secretaria do Meio Ambiente do Estado apontava que o número de propriedades cadastradas chegava a 343,02 mil – 71,46% do total.
    – Se não for prorrogado, sobrarão quase 30% de produtores sem o cadastro. Com alguns meses a mais, se resolveria o todo – avalia o deputado Elton Weber (PSB), que na semana passada entregou relatório de subcomissão da Assembleia ao Ministério do Meio Ambiente, no qual a ampliação do prazo é recomendada.
    Aliás, o parecer será votado hoje. Weber e o presidente da Federação dos Trabalhadores na Agricultura (Fetag-RS), Carlos Joel da Silva, ainda depositam esperança de que a prorrogação saia hoje, no Plano Safra empresarial.
    Sobre o pacote familiar, Joel fez uma avaliação positiva: o governo ofereceu mais recursos, cortou juro e ampliou o teto dos financiamentos, para R$ 250 mil no custeio e R$ 330 mil no investimento.

  • UMA TRAPALHADA FORA DE HORA

    O comando da superintendência do Ministério da Agricultura no Estado ficou preso no limbo da turbulência política do país. Ontem, em uma trapalhada fora de hora, fiscais federais agropecuários foram surpreendidos com a nomeação, no Diário Oficial, de João Batista Jornada da Jornada para a função. Gaúcho e funcionário de carreira do Incra, é o atual superintendente da Agricultura do Amazonas.
    O curioso é que Flavio Zacher, nomeado para o cargo no último dia 15, ainda não tomou posse, mas também não havia sido exonerado. Indicado pelo PDT, ele não pretende assumir – ficaria menos de duas semanas em caso de eventual afastamento da presidente.
    Jornada informou, por meio da assessoria de imprensa, que a nomeação é um engano, que deve ser corrigido na edição de hoje do Diário Oficial.
    – É um desmando total – avalia, sobre a situação, Consuelo Paixão Côrtes, do Sindicato Nacional dos Fiscais Federais Agropecuários (Anffa).

  • Fonte : Zero Hora

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