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    Ao crescer 15,6% no segundo trimestre, superando o bom resultado no mesmo período de 2014, a agropecuária deu uma contribuição extraordinária para evitar que a economia gaúcha tivesse uma retração maior no semestre. Enquanto no país a queda do Produto Interno Bruto (PIB) foi de 2,1% em seis meses, no Rio Grande do Sul o recuo ficou em 0,9%, conforme divulgado ontem pela Fundação de Economia e Estatística (FEE).
    O desempenho superior ao nacional responde por um nome: soja. A colheita recorde da oleaginosa neste ano fez a agropecuária gaúcha crescer 9,7% no primeiro semestre – avanço duas vezes maior ao do Brasil, de 3%. O arroz também deu sua parcela de contribuição.
    Olhando para frente, é difícil prever que o setor primário repita tal performance tão cedo.
    – Inevitavelmente, a agricultura será contaminada pela crise por meio da alta dos custos de produção – prevê Antonio da Luz, economista da Federação da Agricultura no Estado (Farsul).
    Os custos de produção na safra 2015/2016 serão de 15% a 19% maiores do que no ciclo passado, conforme estudo feito pela entidade. Despesas maiores tendem a conter o ímpeto dos produtores na hora de comprar os insumos – podendo resultar em produtividades menores nas lavouras.
    – Mesmo que tudo ocorra de maneira perfeita, será muito difícil a agricultura repetir o mesmo desempenho em 2016 – destaca o presidente da FEE, Igor Morais.
    O reflexo de um cenário diferente já apareceu na primeira estimativa de safra da Emater, que prevê produção de grãos 7% menor em 2016. Além dos custos maiores, Morais cita a instabilidade econômica, que acaba gerando incertezas na hora de investir. Esperar que a agricultura salve novamente a lavoura é exigir muito de um setor que vem se superandoada a cada ano.

  • NO RADAR

    O governo estadual abriu chamada pública de R$ 10 milhões para aquisição de alimentos para abastecer unidades do sistema prisional gaúcho. Podem participar cooperativas e empreendedores familiares rurais enquadrados no Pronaf. Entre os itens a serem adquiridos estão hortigranjeiros, carnes, ovos, leite, cereais, massas e óleo de soja.

  • OLHAR NO DNA GAÚCHO

    Mais do que um parceiro comercial, a Nigéria quer espraiar tecnologia e mão de obra gaúcha em suas terras. Em visita oficial ao Estado nesta semana, o embaixador nigeriano no Brasil, Adamu Azimeyeh Emozozo, disse que vê a parceria com o Rio Grande do Sul como oportunidade para garantir alimento, levar tecnologia à produção e firmar um intercâmbio técnico permanente.
    – Os dois países têm condições climáticas similares e potencial agrícola, mas o Brasil já tem grande avanço em tecnologia – afirmou Emozozo, que foi recebido na terça-feira pelo vice-governador, José Paulo Cairolli (foto), e hoje se reunirá com a Federação da Agricultura (Farsul).
    Em reunião na Ocergs/Sescoop-RS, ontem, um dos temas discutidos foi maneiras de levar o modelo cooperativo gaúcho para a Nigéria, em ações que incluiriam desde o treinamento de nigerianos no RS até a “exportação” de técnicos gaúchos para implantar o sistema de gestão na África.
    – Houve grande interesse deles, em especial no envio de profissionais para fazerem cursos de gestão aqui – disse Vergilio Perius, presidente da entidade.
    Outra prioridade é a compra de arroz, já que a Nigéria tem demanda crescente e o Estado é o maior produtor brasileiro. O assunto será discutido hoje com o secretário da Agricultura, Ernani Polo, que vê a tecnologia e a expertise do setor como trunfos para fechar negócio.
    Está no radar nigeriano também atrair o setor empresarial para investir lá. A visita oficial do embaixador tem como meta encorpar a missão multissetorial para a Nigéria, de 10 a 18 de outubro.

  • LEITE PARA OS CHINESES

    Após quase 20 anos de negociação, a China abriu pela primeira vez o mercado aos produtos lácteos brasileiros. A medida deve resultar num incremento de US$ 45 milhões nas exportações do Brasil.
    – Depois de propormos uma remodelação do nosso certificado, tivemos essa ótima notícia – disse a ministra da Agricultura, Kátia Abreu, anunciando ainda a habilitação de 13 novas plantas de lácteos para exportar à Rússia.
    A partir de agora, empresas brasileiras interessadas em vender lácteos para o país asiático devem pedir a habilitação. Para o presidente do Sindilat-RS, Alexandre Guerra, este é apenas o primeiro passo para que o Brasil possa atender ao mercado do gigante oriental. A habilitação das indústrias para os embarques à China deve demorar alguns meses, segundo Guerra.
    – É um mercado estratégico e com grande potencial – concluiu.

  • JUSTIÇA ANULA TERRA INDÍGENA

    A Justiça Federal de Erechim anulou ontem, em primeira instância, a portaria que declarava como terra indígena 4,2 mil hectares ocupados por 350 famílias de agricultores de Erebango, Getúlio Vargas e Erechim. Na sentença, o juiz Joel Luis Borsuk diz que “não se verifica ocupação tradicional dos índios guaranis na região de Mato Preto”. O magistrado determinou, ainda, que não haja demarcação até o julgamento final.

  • PENA MAIOR PARA CONTER ABIGEATO

    O projeto de lei que aumenta as penas para o crime de abigeato deverá passar pelo Senado, agora, após ser aprovado pela Câmara nesta semana. Pela proposta, do deputado Afonso Hamm (PP-RS), a pena será ampliada para dois até oito anos de prisão (sem direito à fiança) a quem furtar, receptar e abater animais ilegalmente – além de responsabilizar quem vende o produto clandestino.

  • Fonte : Zero Hora

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