Sousa: “Estamos vendo várias possibilidades de entrada de sócio estratégico”
(Atualizada às 08:35) Uma das maiores processadoras de grãos de capital nacional, a Caramuru Alimentos, com sede em Itumbiara, em Goiás, deverá anunciar ao mercado, no segundo semestre, uma mudança acionária significativa. A empresa contratou o banco Morgan Stanley para assessorá-la no negócio, que poderá culminar com a entrada de um novo sócio no capital.

“Estamos vendo várias possibilidades de entrada de sócio estratégico. Está tudo em aberto”, disse ao Valor o diretor-executivo da Caramuru, César Borges de Sousa, confirmando informação noticiada pela agência Bloomberg na manhã de ontem. Conforme o executivo, as conversas sobre a capitalização da empresa começaram há seis meses e já há interessados.

Fragilizada pelo momento difícil no mercado de commodities, pela crise financeira no país e por custos adicionais em logística nos últimos dois anos – quando a hidrovia Tietê-Paraná foi fechada para navegação devido à seca -, a Caramuru quer acelerar o ritmo dos investimentos em curso.

A empresa tem entre suas prioridades o Arco Norte do país, onde está construindo um terminal de transbordo fluvial em Itaituba, às margens do rio Tapajós, e um terminal portuária em Santana, no Amapá. O corredor irá inicialmente transportar proteína concentrada de soja, e volumes considerados pequenos (200 mil toneladas ao ano). A expectativa é que as instalações entrem em operação já na próxima safra.

A Caramuru opera 73 armazéns nas regiões Sul e Centro-Oeste, e tem terminais portuários em Santos e Vitória, de onde embarca 3 milhões de toneladas de grãos por ano. Nesse sentido, a entrada de um sócio estratégico poderia alavancar o viés exportador da companhia, diz Sousa.

A entrada de novo capital, no entanto, é considerada crucial para dar velocidade à companhia. Além de dar agilidade e fôlego para o crescimento neste novo contexto do setor, a Caramuru acumula dívidas com a Cetesb por multas por poluição e é pressionada para uma readequação do terminal, de forma a minimizar danos ambientais – o que exigiria aportes consideráveis.

Sousa diz que pretende renovar o arrendamento no porto paulista em troca de benfeitorias. Questionado, ele não informou o valor dos investimentos.

Por Bettina Barros | De São Paulo

Fonte : Valor

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