Marino Franz, presidente do conselho da Fiagril: maior capacidade de crescimento
A Fiagril Participações, holding com sede em Mato Grosso, confirmou ontem que acertou a venda de uma participação de 57% em sua subsidiária Fiagril Ltda para a chinesa Hunan Dakang Pasture Farming Co. Ltd., empresa com ações negociadas na bolsa de Xangai controlada pelo Pengxin Group. O Valor apurou que o negócio, que deverá ser concluído no mês que vem, foi fechado por cerca de US$ 200 milhões, parte em dinheiro e parte por meio da assunção de dívidas.

A Fiagril Ltda, cujo foco está na originação de grãos, na distribuição de insumos agrícolas e na produção de biodiesel, representa em torno de 60% dos negócios da holding que a controla, cujo valor de mercado total foi estimado em US$ 700 milhões antes da transação com os chineses e que mantém participações em coligadas como Cianport (logística), Serra Bonita Sementes, F&S Agrisolution e Bioplanta. Com o negócio, a Fiagril Ltda. passa a ser controlada pela Dakang e o restante de seu capital continua a ser dividido entre os fundadores da Fiagril Participações e a gestora americana de fundos Amerra Capital Management.

As especulações de que a Fiagril estava em busca de um “sócio estratégico” circulavam desde o fim de 2014. Outra companhia chinesa, a estatal Chinatex, que tem grande interesse no Brasil, sinalizou que poderia ser essa parceira, mas as conversas não prosperaram. Em dezembro de 2015, a americana Bunge, maior exportadora de grãos do país, entrou no páreo. Fontes próximas à Fiagril afirmam que os trabalhos de due diligence já tinham começado, mas que a Dakang “atravessou” as tratativas e deixou a “rival” para trás. Nas negociações, a Fiagril foi assessorada pelo banco de origem holandesa Rabobank e pelo escritório Ramos e Zuanon Advogados, ao passo que a empresa chinesa contou com a assessoria do Demarest Advogados.

“Desde 2004, quando fizemos o nosso primeiro investimento externo em agricultura, percorremos um longo caminho. Nossa carteira, que envolve investimentos na pecuária de leite e de corte e na produção de grãos na América do Sul e na Oceania, será fortalecida com esse novo passo no Brasil. Estamos particularmente motivados para trabalhar junto com os múltiplos parceiros da Fiagril, tanto nas culturas de soja e milho como em logística”, afirma, em comunicado, o bilionário chinês Jiang Zhaobai, presidente do Pengxin Group – deixando claro, portanto, que a parceria com o grupo brasileiro tende a ser aprofundada. Os negócios agrícolas do conglomerado chinês são concentrados na Dakang.

No mesmo comunicado, o presidente do conselho da Fiagril, Marino Franz, diz que a conclusão do acordo – anunciado dias depois da aquisição dos negócios de fertilizantes e nióbio da mineradora Anglo American no Brasil pela também chinesa CMOC, por US$ 1,5 bilhão -, “consolida a posição da empresa e amplia sua capacidade de crescimento”. Ao Valor, o empresário confirmou que o negócio deverá ser concluído em 15 de junho.

Fontes ouvidas pela reportagem não acreditam que haverá conflitos na administração da Fiagril Ltda. com a chegada da Dakang. A tendência é que a chinesa tenha assento no conselho, mas não participe diretamente do dia a dia dos negócios, pelo menos inicialmente. Como no caso da Amerra, que se aproximou da Fiagril em 2012, com um financiamento de médio prazo para pré-pagamentos de exportação, e acabou ficando com uma participação.

Fundada em 1989 em Lucas do Rio Verde (MT), a Fiagril nasceu como revenda de insumos. Há uma década começou a negociar soja e milho, e mais recentemente partiu para biodiesel, sementes, adubos, armazenagem e logística, o que exigiu um elevado volume de recursos e restringiu sua capacidade de usar capital próprio para levar esses aportes adiante. No exercício encerrado em maio de 2015, a Fiagril Participações teve lucro líquido de R$ 30,7 milhões e receita de R$ 2,92 bilhões. A empresa movimenta cerca de 3 milhões de toneladas de grãos por ano.

No exercício 2015, a holding injetou R$ 50 milhões para elevar a capacidade de armazenagem. Na Serra Bonita Sementes, na qual detém fatia de 33%, abriu uma nova unidade e elevou a produção para 1,5 milhão de sacas por ano. Mas uma de suas maiores apostas é a logística no Norte do país com a Cianport, empresa de navegação na qual tem participação de 40% e que atua entre Miritituba (PA) e o porto de Santana (AP). A expectativa da Cianport é que sua movimentação de grãos alcance 3,5 milhões de toneladas em 2018.

Por Fernando Lopes, Bettina Barros e Mariana Caetano | De São Paulo

Fonte : Valor

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