Ainda que considere “questionáveis” os pontos positivos no curto prazo de uma eventual compra de participação da BRF pela Tyson Foods, o Bank of America Merrill Lynch (BofA) avaliou ontem que a hipotética aquisição de 20% do capital da BRF “caberia” no balanço financeiro da empresa americana.

Pelos cálculos do BofA, comprar 20% das ações das BRF custaria US$ 2,1 bilhões à Tyson, desconsiderando o eventual prêmio que seria pago pelos papéis. Nessas condições, o índice de alavancagem (relação entre dívida líquida e Ebitda em doze meses) da Tyson aumentaria 0,6 vez. No fim do segundo trimestre fiscal (encerrado em 2 de abril), esse índice foi de 1,8 vez. Segundo o BofA, o valor de mercado da Tyson é de US$ 27 bilhões, e o da BRF é US$ 10,5 bilhões.

Conforme o Valor informou ontem, executivos da Tyson visitaram fábricas da BRF no Brasil há cerca de um mês. Na manhã de segunda-feira, o CEO da Tyson, Donnie Smith, disse em teleconferência que a empresa voltará a investir no exterior, possivelmente por meio de acordos ou parcerias na área de carne de frango e de alimentos industrializados. Procurada, a BRF disse que não comenta especulações de mercado.

Na avaliação do BofA, a eventual combinação entre as plataformas de Tyson e BRF criaria uma potência global na área de frango. Além disso, Brasil e EUA, os países de origem de BRF e Tyson, são os dois maiores exportadores mundiais de carne de frango e a “sobreposição” entre eles na exportação da proteína é “limitada”. A BRF também produz carne de frango na Argentina e na Tailândia.

Ainda assim, o relatório do banco elenca quatro pontos que são “discutíveis” para a Tyson no curto prazo. Em primeiro lugar, a Tyson teria de compartilhar o controle da BRF se a Tarpon, que tem 11,94% da BRF, não deixar a empresa. O CEO global da BRF, Pedro Faria, é sócio e fundador da Tarpon. Além disso, a Tyson não consolidaria o balanço da BRF em seus resultados, dado que teria fatia minoritária na companhia. Por fim, o banco observa que a Tyson deixou o Brasil em 2014 e a que a empresa fez “forte” esforço de desalavancagem nos últimos anos.

Ontem, ações da BRF subiram 7,36% na BM&FBovespa, a R$ 49,30.

Por Luiz Henrique Mendes | De São Paulo

Fonte : Valor

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