As condições desfavoráveis do clima em importantes regiões produtoras, sobretudo de soja e milho, levaram a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) a revisar para baixo suas estimativas para a colheita de grãos nesta temporada 2015/16 no Brasil.

Em levantamento divulgado na manhã de ontem, a autarquia estimou que o país encerrará o ciclo atual com uma colheita total de 202,4 milhões de toneladas, 3,2% menos que o total projetado no mês passado e volume 2,5% inferior ao registrado em 2014/15. De acordo com o IBGE, que também ontem atualizou seu levantamento, serão 205,4 milhões de toneladas, e a retração será de quase 2%.

No caso da soja, carro-chefe do agronegócio brasileiro, a expectativa de produção da Conab foi cortada em 2% (2,01 milhões de toneladas) em relação à estimativa de abril, para 96,9 milhões de toneladas. Ainda assim, o volume continua um pouco superior ao da safra passada (96,2 milhões de toneladas), sustentado por uma área plantada maior.

De acordo com a Conab, a estiagem que golpeou a produtividade das lavouras no “Matopiba” (confluência entre os Estados de Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia) é a principal responsável pela diminuição na perspectiva de produção da soja. A oleaginosa está em fase de colheita na região, onde a seca, que se agravou entre fevereiro e março, deve causar recuos de 20% a 30% na produtividade, segundo a autarquia.

Boa parte do plantio no “Matopiba” já foi realizada fora da “janela” considerada ideal, devido ao atraso na semeadura de soja, que precede o plantio da segunda safra de milho nos campos da região. Tocantins apresenta o pior cenário, com perdas de rendimento que podem chegar a 31,5% em relação a 2014/15, de 48,5 sacas para cerca de 33 sacas por hectare.

Para o milho, segundo grão mais semeado no país, a estimativa da Conab para a produção total recuou para pouco menos de 80 milhões de toneladas, com quedas de 5,6% em relação tanto à previsão de abril quando ao volume total colhido em 2014/15.

E o problema é a segunda safra, cujas lavouras estão em desenvolvimento. A autarquia cortou sua projeção para a “safrinha” em 7,4% na comparação com a estimativa divulgada em abril, para 52,9 milhões de toneladas, volume agora 3,1% menor que o da temporada passada.

De acordo com a Conab, “o clima foi o grande responsável pelo baixo desempenho da lavoura em todo o país, especialmente na Região Centro-Oeste”. Em relatório, o órgão lembra que o plantio do cereal em Mato Grosso – principal produtor de milho de inverno do país – se estendeu até o fim de março, fora da janela ideal. Como não choveu o suficiente em abril, as lavouras foram prejudicadas, reduzindo a produtividade.

Além das alterações nas estimativas para a safra de inverno, a Conab também fez uma revisão para baixo na estimativa para a colheita de milho de verão, que está praticamente concluída. Conforme o órgão, a produção brasileira da primeira safra totalizou 27 milhões de toneladas na temporada 2015/16, 1,7% menos que o estimado em abril e volume 10,1% menor que o de 2014/15.

Ao todo, a produção brasileira de milho (de inverno e verão) na temporada 2015/16 foi ajustada para praticamente 80 milhões de toneladas, reduções de 5,5% na comparação com as 84,7 milhões de toneladas estimadas em abril e de 5,6% ante as 84,7 milhões colhidas na temporada 2015/16.

No levantamento divulgado ontem, a Conab também revelou suas primeiras projeções para a produção de trigo no país neste ano – as lavouras estão em fase de plantio. A autarquia estimou a colheita em 5,8 milhões de toneladas, 5,3% acima de 2015. Apesar de prever uma queda de 14,1% na área plantada, para 2,1 milhões de hectares, a Conab espera que uma elevação no rendimento por hectare garanta uma maior produção. No Paraná, principal produtor de trigo do Brasil, o plantio está atrasado este ano, uma vez que o tempo seco dificultou o avanço dos trabalhos. (Colaboraram Luiz Henrique Mendes, de São Paulo, e Robson Sales, do Rio)

Por Fernanda Pressinott, Bettina Barros, Mariana Caetano e Luiz Henrique Mendes | De São Paulo

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