Em entrevista ao programa Direto ao Ponto, Ana Amélia Lemos (PP-RS) explica processo de impeachment e afirma que nada seria necessário se Dilma e Temer renunciassem

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A senadora Ana Amélia Lemos (PP/RS) afirmou que a tese de golpe defendida pelos parlamentares governistas no Senado Federal e por representantes do Executivo até em missões internacionais é um desserviço ao país. Ela destacou que isso desmerece a posição do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou o rito do processo de impeachment no Congresso Nacional e reconheceu a legitimidade dele.

Segundo ela, o resultado da votação pelo afastamento da presidente Dilma Rousseff, que deve ocorrer na Casa no dia 11 de maio, já é previsível. Ela é favorável e acredita que a maioria dos senadores também deve votar pela saída de Dilma do cargo.

Em entrevista ao programa Direto ao Ponto deste domingo, dia 1º de maio, a senadora gaúcha explicou como será o trâmite do processo de impeachment no Senado. Cotada para ser relatora na Comissão Especial criada para analisar o pedido, Ana Amélia elogiou a escolha de Antônio Anastasia (PSDB/MG) para o cargo. Apesar das críticas governistas pelo fato de o parlamentar ser de um partido que subscreve a denúncia e ser adversário histórico do PT, ela confia na capacidade intelectual do parlamentar. Porém, concorda: “Todo mundo tem lado, todo mundo sabe de que lado estão os senadores”, em alusão à maioria favorável ao impeachment.

Kátia Abreu

Presidente da Comissão de Agricultura e Reforma Agrária do Senado, Ana Amélia Lemos criticou a ministra da Agricultura, Kátia Abreu. Segundo ela, a ministra teve uma grande chance ao se aproximar de Dilma Rousseff, mas não soube manter o diálogo com o setor. “Paga pela sua escolha”.

Para Ana Amélia, a provável volta de Kátia Abreu à presidência da CNA, com a iminente saída do ministério, foi totalmente prejudicada e inviabilizada com a posição contrária à dos produtores rurais que a entidade representa. Um fato grave destacado pela senadora foi o silêncio de Kátia Abreu sobre o depoimento do secretário da Contag em evento no Palácio do Planalto em que incitou a invasão de terras rurais em todo o país. “Isso tudo agravou a situação”.

Sobre o lançamento antecipado do Plano Safra 2016/2017, Ana Amélia avaliou que é “muito tarde para tentar atrair apoio do setor produtivo”.
            
Novas eleições

A senadora Ana Amélia ainda comentou a possibilidade de realização de novas eleições no Brasil, com a aprovação de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) no Congresso Nacional. Ela mesma apoiou a criação da matéria convencida da não legitimidade de o vice-presidente Michel Temer assumir o cargo de Dilma Rousseff. Porém, ela pondera: “Não precisaria de nada disso se os dois renunciassem. Nós temos que falar no Brasil real”.

Rafael Walendorff | Brasília (DF)

Fonte : Canal Rural

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