O presidente da Embrapa, Maurício Lopes, afirmou na sexta-feira que espera que o Congresso aprove ainda este ano a criação da Embrapatec, subsidiária integral da estatal voltada à comercialização de tecnologias de ponta no agronegócio. “Apesar das turbulências, tenho a expectativa de que a Embrapatec sairá ainda este ano, porque não é um assunto novo. Tenho conversado com os parlamentares há três anos e todos se mostraram muito positivos em relação a isso”, afirmou Lopes ao Valor.

Segundo ele, algumas questões ficaram claras: os recursos do Tesouro são cada vez mais disputados e, por isso, manter um voo solo se tornou algo inviável. “Num país com tantas carências como o Brasil, cada vez menos recursos públicos virão para a pesquisa científica. Por isso precisamos de parcerias com o setor privado que gerem retornos financeiros. E fazer um voo solo também não nos levará a lugar algum em uma era de enormes complexidades”.

Considerada referência em pesquisas em agricultura tropical, a Embrapa tem hoje 1,4 mil contratos entre parcerias e prestação de serviços, que rendem anualmente R$ 110 milhões à estatal. É pouco diante da necessidade de financiamento para a geração de pesquisa, mas Lopes espera dobrar esse valor com a Embrapatec. “É um número conservador. Podemos arrecadar mais, se levarmos em consideração que com a Embrapatec poderemos participal como sócios minoritários em empresas privadas, o que nos dará parte do faturamento”.

A Embrapa tem orçamento anual de R$ 3 bilhões – 83% para o pagamento de pessoal. A previsão é que nos primeiros três anos, a Embrapatec seja financiada pela estatal. A partir de então, deverá “andar com as próprias pernas”.

Por Bettina Barros | De São Paulo

Fonte : Valor

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