“O que estamos produzindo, estamos vendendo. Mas em tonelagem, está menor do que 2015”, afirma Cesar Helou
A escassez de leite no Brasil afetou os planos de crescimento do Laticínios Bela Vista em 2015. A empresa, que havia se destacado no ranking das maiores laticínios da Leite Brasil em 2014, aumentou em apenas 2,5% a captação de leite no ano passado. “Faltou matéria-prima e não conseguimos crescer o que planejávamos”, lamenta Cesar Helou, diretor da empresa, que é dona da marca Piracanjuba.

Se atualmente os custos altos de produção – por causa da alta do milho, principalmente – são a principal razão para a oferta mais restrita de leite no Brasil, no ano passado, os preços baixos do produto e problemas climáticos afetaram a oferta. Para agravar o quadro, a alta da arroba do boi e “um certo desânimo” por parte de produtores com a economia também desestimularam os produtores em 2015, diz Helou. “Alguns produtores mandaram vacas para o abate”.

Com menos leite disponível para produzir os itens finais, a receita do Laticínio Bela Vista cresceu menos do que os 25% previstos inicialmente para o ano passado, de acordo com o empresário. O avanço foi de 15% sobre 2014, e o faturamento líquido chegou a R$ 2,4 bilhões.

Segundo ele, 2016 está sendo outro ano de “pouco leite”, o que eleva os preços ao produtor. Mas diante de uma demanda desaquecida, a menor oferta de matéria-prima “faz com que o cenário fique mais equilibrado”. “O que estamos, produzindo estamos vendendo. Mas em tonelagem [volume], está menor do que 2015”, reconhece.

Num ano de ” pouca produção e pouco consumo”, como avalia Helou, a previsão é de uma alta de 15% a 20% na receita do laticínio “por causa da alta do preço do leite”, principalmente. A ampliação da linha de produtos no mercado – a empresa acaba de aumentar o portfólio dos itens sem lactose e de lançar uma de leites aromatizados com vitaminas – também deve contribuir.

Para o empresário, “o consumo vai voltar só no ano que vem no Brasil, mesmo que mude o presidente” – a entrevista foi feita antes do afastamento de Dilma Rousseff do cargo. Isso porque ele espera que, em 2017, possa haver uma melhora nos índices de emprego, com injeção de dinheiro na economia.

Quanto à oferta de leite para processamento pelas indústrias, Cesar Helou não esconde o pessimismo e avalia que deve cair ainda mais do que ano passado, em decorrência dos custos mais altos para os pecuaristas e da seca que prejudicou a produção pelos rebanhos leiteiros de São Paulo, Minas Gerais e Goiás.

Nesse ambiente, a expectativa da Bela Vista é manter, neste ano, o mesmo volume de leite recebido em 2015. Para isso, aposta na fidelização do produtor, por meio de programa que incluem assistência técnica e busca de melhoria de qualidade do leite.

Por Alda do Amaral Rocha | De São Paulo

Fonte : Valor

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