De acordo com o CEO da Marfrig, Martín Secco, as operações de bovinos no Uruguai ficaram abaixo do esperado
A Marfrig Global Foods, segunda maior empresa de carne bovina do Brasil, informou ontem que teve prejuízo líquido de R$ 106,1 milhões no primeiro trimestre. Trata-se de uma perda inferior ao prejuízo de R$ 570,9 milhões registrado em igual período do ano passado.

Apesar de ainda estar no vermelho, a empresa destacou a redução de prejuízo – que foi obtida, em especial, pelo resultado financeiro. Comparado ao primeiro trimestre do ano passado, a Marfrig conseguiu reduzir as despesas financeiras em R$ 596 milhões, de cerca de R$ 1 bilhão para R$ 423 milhões.

De acordo com a Marfrig, as despesas financeiras menores se deveram aos ganhos com variação cambial e à redução da dívida bruta da companhia – que recuou de US$ 4,177 bilhões, em 31 de março de 2015, para US$ 3,289 bilhões no fim de março deste ano. Sobretudo a partir da venda da subsidiária Moy Park para a JBS, no fim de setembro de 2015, a Marfrig iniciou um processo de gestão de passivos. Com esse intuito, a companhia cancelou no primeiro trimestre US$ 72 milhões em notas sênior.

Do ponto de vista das vendas, a apreciação do dólar perante o real – na comparação entre os primeiros trimestres de 2015 e 2016 – ajudou a elevar a receita líquida em 16%, para R$ 4,906 bilhões. A Marfrig, que é exportadora e conta com operações fora do Brasil, gerou 62% de suas receitas em dólar.

Na área operacional, a Marfrig teve um bom desempenho na divisão de food service – concentrada na empresa de origem americana Keystone, que também tem forte atuação na Ásia. No entanto, a alta do preço do gado no Uruguai pressionou os resultados da divisão de carne bovina (Marfrig Beef).

Ao todo, o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) ajustado da Marfrig foi de R$ 443 milhões, crescimento de 25% ante os R$ 354 milhões do mesmo período de 2015. Com isso, a margem Ebitda ajustada aumentou de 8,4% para 9%.

Em teleconferência com analistas, o vice-presidente de finanças e diretor de relações com investidores da Marfrig, Eduardo Miron, afirmou que a Keystone, que representa cerca de 50% da receita da Marfrig, teve uma “performance recorde” para o primeiro trimestre. Entre janeiro e março, o Ebitda da Keystone atingiu US$ 57 milhões, incremento de 17% na comparação anual. Com isso, a margem Ebitda ajustada da Keystone também avançou, de 7,3% para 9%.

De acordo com Miron, a Keystone, que produz carne de frango e atende grandes redes de restaurantes, foi beneficiada pela queda das cotações dos grãos nos EUA, que se traduziu na redução de 16% nos preços da ração animal e também de 15% no custo da carne comprada de terceiros.

Na divisão Marfrig Beef, que reúne as operações de carne bovina da empresa no Brasil e no Uruguai, o Ebitda ajustado alcançou R$ 222 milhões, crescimento de 3% ante os R$ 214 milhões do primeiro trimestre de 2015. Por outro lado, a margem Ebitda da Marfrig Beef recuou de 9,2% para 9% na comparação anual.

Na avaliação do CEO da Marfrig, o uruguaio Martín Secco, as operações de bovinos em seu país de origem ficaram abaixo do esperado. Segundo ele, o clima desfavorável (que afeta as pastagens) reduziu a oferta de gado no Uruguai. No entanto, ele disse que o quadro se “normalizou” e que os abates crescerão entre maio e junho.

Por Luiz Henrique Mendes | De São Paulo

Fonte : Valor

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