Os agricultores familiares terão R$ 30 bilhões para financiar a safra 2016/2017. O anúncio foi feito pela presidenta Dilma Rousseff, nesta terça-feira (3), no Palácio do Planalto, em Brasília (DF), durante apresentação do Plano Safra da Agricultura Familiar. O volume recorde de crédito, os estímulos à produção de alimentos que contribuem com o controle dos índices de inflação e a ampliação de políticas para a juventude rural foram as medidas mais comemoradas por representantes de movimentos sociais e agricultores familiares.

Para o presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), Alberto Broch, o Plano Safra da Agricultura Familiar evidencia o compromisso do governo federal com as políticas sociais e com a oferta de alimentos de qualidade. “A coragem de abaixar os juros para a produção dos alimentos mais presentes na mesa dos brasileiros, o apoio ao cooperativismo e o estímulo à produção sustentável são medidas importantíssimas e que refletem o compromisso de um governo que tem sintonia com os brasileiros e com a luta dos trabalhadores rurais”, apontou.

As lideranças também manifestaram preocupação com possíveis retrocessos em políticas destinadas à agricultura familiar, caso processo de impeachment da presidenta Dilma Rousseff avance. Para Elisângela Araújo, primeira mulher a ocupar o cargo de coordenadora da Federação Nacional dos Trabalhadores da Agricultura Familiar (Fetraf), a participação social é fundamental na defesa da democracia.

“É muito emocionante estar aqui, principalmente porque o Plano Safra é um símbolo de como a agricultura familiar se desenvolveu e ganhou visibilidade nos últimos anos. E também é um momento oportuno para dizer que os movimentos sociais, as forças sindicais e as lideranças femininas não vão dar trégua na luta e não vão permitir retrocessos”. Para Elisângela, apesar das conquistas obtidas pelos camponeses, ainda há muito a ser feito. “Se avançamos até aqui com a presidenta Dilma, é certo de que podemos fazer mais”, declarou.

O coordenador nacional do Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA), Anderson Amaro, também aproveitou sua fala para manifestar desaprovação em relação à tentativa de impedimento da presidenta. “Queremos um governo federal fortalecido, com Dilma, queremos um Ministério do Desenvolvimento Agrário que defenda os direitos dos pequenos produtores. Dizemos não à extinção do MDA, como pregam parlamentares da bancada ruralista. Dizemos não ao golpe”, finalizou.

Enquanto a presidenta Dilma Rousseff anunciava as principais medidas do Plano Safra, Maria José Cavalcante, de Campina Grande (PB), não conseguia conter sua emoção na plateia. Agricultora familiar desde criança, Maria reconhece as conquistas obtidas pelos menos favorecidos na última década e teme retrocessos. “Tenho muito medo de voltarmos àqueles tempos difíceis em que, quem vivia da terra não era ninguém”, desabafou.

Ranyelle Andrade

Ascom/MDA

Fonte : MDA

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