Júnior afirma que desistiu da política e que pretende fazer novas aquisições
Depois de ter adquirido o frigorífico Mataboi, no fim de 2014, o empresário José Batista Júnior, ex-acionista controlador da JBS, afirma que voltará a comprar ativos do segmento de carne bovina. E indaga “por que não posso criar uma pequena JBS?”. Em entrevista a jornalistas ontem, em São Paulo, para anunciar investimento de R$ 400 milhões num empreendimento imobiliário em Goiânia (GO) por sua holding JBJ, Júnior Friboi, como é mais conhecido, disse que poderia até mesmo comprar a Marfrig. “Quem sabe?”, disse, quando questionado sobre um hipotético negócio.

O empresário revelou ainda que comprou o Mataboi, por meio de sua holding JBJ Agropecuária por uma questão de “oportunidade” e porque a “JBS não pôde comprar”, uma vez que o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) não permitiria uma nova aquisição pela empresa que já é a maior do setor. A JBS não comentou a afirmação, “mas esclareceu que não haveria restrição junto ao Cade para uma eventual aquisição do Mataboi”.

Júnior disse não ver problema na operação, uma vez que não é mais acionista da JBS. Segundo ele, a JBS tinha interesse em adquirir o Mataboi. “Perguntei a eles: tem problema [em comprar]?. Não há, porque não tenho acordo de non-compete com eles”. O empresário disse ainda que “nenhum pecuarista questionou a compra do Mataboi”, que está em recuperação judicial. “Não tem nada de querer enganar o mercado”, garantiu. Ele reforçou que se houver oportunidades, irá olhar. “Não estou impedido de crescer”.

José Batista Júnior iniciou sua saída do capital da J&F, controladora da JBS, em 2011, quando começou a vislumbrar o projeto de ser candidato ao governo de Goiás. “Dentro do projeto político, não dava para ficar apanhando na JBS. Mesmo não estando na JBS, já batiam”, comentou, numa alusão às críticas que a empresa recebe dos que consideram que é favorecida pelo governo federal.

Ele era sócio controlador da holding J&F, por meio da JBJ. Segundo o empresário, sua fatia foi sendo diluída e trocada por ativos. Na operação, ficou com os três confinamentos de bovinos que eram da JBS nas cidades de Aruanã e Nazário, ambas em Goiás, e em Castilho (SP). A capacidade estática de confinamento nas unidades é de 100 mil cabeças.

Além dos confinamentos, a JBJ tem outras cinco fazendas, num total de 54 mil hectares. A empresa atua ainda em incorporação imobiliária e desenvolvimento urbano. A estimativa de Júnior é que a holding fature R$ 2 bilhões este ano, sendo 70% disso proveniente da área de agropecuária, que inclui as unidades do frigorífico.

Embora tenha se desfeito da participação na JBS, Júnior se referiu à empresa usando o termo “nós” repetidas vezes. Ele justificou que isso ocorre porque, afinal, foi um dos criadores da companhia. Também não descartou voltar a ser acionista da JBS, mas, nesse caso, como investidor na bolsa.

Júnior não esconde a ambição de crescer em carne bovina – o segmento que mais conhece -, mas disse que “não se considera concorrente da JBS”. “Eles têm 40 fábricas e nós temos duas”, comparou. “Nunca vou chegar ao tamanho da JBS”.

O Mataboi, adquirido pela JBJ, tinha três unidades de abate de bovinos, mas uma delas, a de Rondonópolis (MT), está paralisada. As outras duas, em Araguari (MG) e Santa Fé (GO), abatem hoje 2 mil cabeças por dia. Júnior disse que não pretende reabrir a fábrica de Rondonópolis, que é arrendada e parou por escassez de bois para abate. Os confinamentos da JBS fornecem bois para abate tanto para o Mataboi quanto para a JBS e outros frigoríficos.

No encontro de ontem, Júnior aproveitou para contar que desistiu da carreira política depois de ter sido expulso do PMDB, partido ao qual estava filiado e pelo qual tentou se candidatar ao governo de Goiás em 2014. “Percebi que política não é doação e sim negócio”, disse.

Em maio do ano passado, Júnior desistiu da candidatura ao governo de Goiás após disputa política com o também peemedebista Íris Rezende – que acabou sendo o candidato -, e de o PT, que apoiaria o PMDB no Estado, decidir lançar um nome ao governo. Rezende perdeu as eleições para Marconi Perillo (PSDB).

Afirmando que o país “está ficando ruim”, Júnior disse que o governo procura “o caminho mais fácil” para solucionar a crise, via aumento de impostos e “não faz o dever de casa”. Apesar das críticas, ele afirmou que se a “oposição não esperar vencer os quatro anos [do mandato de Dilma] para o povo votar, o Brasil perderá credibilidade do ponto de vista político”. E defendeu: “Tem de esperar [o fim do governo], ela foi eleita pelo povo. Ninguém vai mudar nada se não respeitar a democracia”.

Por Alda do Amaral Rocha e Victória Mantoan | De São Paulo
Fonte : Valor

Compartilhe!