A reorganização societária anunciada na última quarta-feira pela JBS fez as ações da empresa dispararem na BM&FBovespa ontem. Os papéis da companhia, que lideraram os ganhos do Ibovespa, encerraram cotados a R$ 10,54, alta de 20,3%. Trata-se da maior valorização das ações da empresa desde outubro de 2008.

A proposta de reorganização da JBS prevê a transferência de ativos responsáveis por cerca de 80% das receitas para uma nova empresa, a JBS Foods International, com sede na Irlanda e ações listadas na bolsa de Nova York (NYSE). As operações de carne bovina no Brasil seguirão na JBS S.A., que passará a se chamar JBS Brasil mas continuará com as ações listadas na bolsa brasileira.

O entusiasmo inicial dos investidores se deve, entre outros motivos, pela expectativa de que a mudança gere valor aos acionistas. Em relatório assinado por Thiago Kapulskis, o banco Brasil Plural avaliou que o movimento da JBS é “inteligente” e pode destravar o valor da companhia, na medida em que ao ser listada em Nova York a JBS Foods International será percebida como uma empresa americana.

A proposta da JBS também foi bem recebida pela agência de classificação de risco Fitch Ratings, que considera que a listagem da companhia nos EUA reduzirá a exposição da empresa à volatilidade cambial. Nesse contexto, a Fitch avaliou que a estratégia de hedge cambial, maior responsável pelo prejuízo líquido de R$ 2,7 bilhões reportado pela JBS no primeiro trimestre deste ano, poderá se tornar menos “agressiva”.

A avaliação da agência está em linha com a afirmação do CEO global da JBS, Wesley Batista. Ao Valor, o empresário indicou na quarta-feira que, como a moeda funcional da empresa passará a ser o dólar – e não mais o real -, a necessidade que tem hoje de se proteger de sua exposição ao dólar ficaria menor.

Ontem, Batista também disse em teleconferência com analistas que a JBS reduziu sua posição de hedge cambial “substancialmente”. Segundo o empresário, o quadro macroeconômico global e brasileiro que levou, no fim de 2014, a JBS a adotar a política de proteger 100% de sua exposição ao dólar por meio de derivativos agora é outro.

Naquele momento, afirmou Batista, os preços das commodities estavam em trajetória descendente e esperava-se que a taxa de juros nos EUA seria elevada quatro vezes pelo Federal Reserve. No Brasil, o quadro era de instabilidade política e econômica. Juntas, as variáveis apontavam para a alta do dólar, que de fato ocorreu. Agora, porém, a situação é de recuperação dos preços das commodities e a taxa de juros nos EUA não foi elevada como se imaginava. É nesse cenário que a empresa reduziu sua posição de hedge.

Por Luiz Henrique Mendes | De São Paulo

Fonte : Valor

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