Empresa promove melhora de processos para reduzir custos, diz Cícero Hegg
A recessão na economia brasileira não impediu o Laticínios Tirolez de crescer no último ano – ainda que num ritmo aquém do esperado -, mas a empresa teve que suspender, ao menos temporariamente, seus planos de expansão.

A companhia, que é uma das maiores do país no segmento de queijos, registrou um avanço de 16,2% em seu faturamento em 2015, de acordo com Cícero Hegg, diretor comercial e sócio do Tirolez. Apesar do aumento da receita, cujo valor não é revelado, o desempenho foi inferior aos 18% a 21% de alta previstos em meados do ano passado.

O volume físico comercializado pelo Tirolez também cresceu menos do que os 13,5% projetados. Ainda assim, o avanço foi de expressivos 12,4%, segundo Hegg. Expressivos considerando que o volume de queijos como um todo no país teve uma queda estimada em 3% no ano passado, segundo fontes do setor.

De acordo com o empresário, a meta de receita não foi alcançada porque o Tirolez não conseguiu repassar toda a alta de custo para os produtos finais. ” O repasse de preço não foi possível porque o mercado não aceitou, já que o consumidor está com menos dinheiro”, afirmou.

Assim como em vários segmentos de bens de não duráveis, o de queijos também viu os consumidores mais cautelosos, reduzindo as compras de produtos de maior valor agregado, disse Hegg.

Além disso, também houve redução da demanda por queijos por parte de restaurantes e redes de fast food. “As pessoas estão comprando alimentos e fazendo em casa”, afirmou. No caso do Tirolez, segundo ele, esse movimento foi percebido, mas compensado pelas vendas no varejo e pela expansão da companhia para outras regiões.

Mas a derrapada da economia brasileira fez o Tirolez colocar seu projeto de expansão em “stand by”, como define Cícero Hegg. Ele atribui à decisão ao “custo do dinheiro”, reflexo de uma oferta mais restrita de crédito. No plano original da empresa, entre 2016 e 2018 seriam investidos R$ 120 milhões (parte disso, recursos do BNDES) na construção de duas novas unidades e na ampliação de fábricas. Pelo projeto, seriam construídas uma planta em Monte Aprazível (SP), onde o Tirolez vai desativar uma fábrica antiga, e outra em Caxambu do Sul (SC), onde a empresa também tem unidade.

Enquanto esse plano para as novas unidades está suspenso, a empresa decidiu investir na ampliação da fábrica de Lins (SP), para onde linhas de produção de queijos cottage e requeijão já haviam sido transferidas no fim de 2014.

Apesar dos “percalços” na economia e da disparada no preço do leite no Brasil, o diretor do Tirolez se disse otimista e aposta na perspectiva de crescimento de 8,6% no volume físico de queijos comercializados pela empresa, que deve chegar a 35 mil toneladas este ano. Já a previsão de aumento para a receita no ano é mais ambiciosa: 20,4% sobre 2015.

Hegg avalia que será possível alcançar esses números com o reforço do trabalho nos pontos de venda, inovação, redução de custos, repasse de alta de custo e expansão de linha de produtos. Nessa frente, novos produtos sem lactose do Tirolez estão chegando ao mercado, além de uma linha de queijos fatiados “Estamos promovendo melhorias de processos para reduzir custos, buscando ingredientes novos para ter melhor produtividade, trocando fornecedores”, acrescentou.

As exportações de queijos, principalmente para a Rússia, também devem ajudar o desempenho este ano. No ano passado, o Tirolez embarcou 22 toneladas de gorgonzola e 22 toneladas do queijos variados àquele mercado. Nos primeiros meses deste ano, disse Hegg, já foram exportadas 52 toneladas, e o volume deve alcançar 100 toneladas.

Entretanto, a disponibilidade de leite no mercado é uma preocupação. Segundo Hegg, a empresa previa alta média de 8,9% no leite este ano na comparação com 2015. Mas a queda na produção fez os preços irem às alturas. Até abril, a matéria-prima adquirida já subiu quase 20% em relação a dezembro passado.

Cícero Hegg reconheceu que a “retomada do consumo vai depender de recuperação de economia” – algo que ainda parece distante no horizonte. Mas, esperançoso, disse que uma queda do desemprego no país já seria um “alento”.

Fundado há 36 anos, o Tirolez tem seis unidades – Tiros, Arapuá e Carmo do Paranaíba, todas em Minas Gerais, Monte Aprazível, Lins e Caxambu do Sul (SC).

Por Alda do Amaral Rocha | De São Paulo
Fonte : Valor

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